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terça-feira, 19 de março de 2013

Capítulo 31 - OS ABISMOS


Capítulo 31
OS ABISMOS
                                                                                                                            
                                                                         


              

“Os céus se moverão, as estrelas cairão sobre a terra, o sol e a lua serão cortados ao meio e a lua não luzirá mais. Haverá sinais e prodígios excepcionais nos dias que antecedem a chegada do anticristo. Estes serão os sete sinais que aparecerão antes do fim do mundo. Em todas as regiões haverá carestia, grande peste e muita angustia. Depois todos os homens cairão aprisionados no meio de todas as nações e morrerão pela espada. No primeiro dia do julgamento haverá um grande prodígio. Na terceira hora, do firmamento dos céus elevar-se-á uma voz grande e potente e uma grande nuvem de sangue se moverá do ocidente e fortes trovoes e raios poderosos seguirão aquela nuvem e uma chuva de sangue cairá sobre a terra. Tais são os sinais do primeiro dia. E no segundo dia ouvir-se-á uma voz forte vinda do firmamento do céu e aterra será abalada de sua sede e as portas do céu se abrirão no firmamento do céu em direção ao oriente, e uma grande Potência será feita passar pelas portas do céu e cobrirá o céu até a noite. Esses são os sinais do segundo dia. E no terceiro dia, por volta da segunda hora, elevar-se-á no céu uma voz e os abismos da terra emitirão sua voz para os quatro cantos do cosmos. O primeiro céu contrair-se-á como uma folha de papel e desaparecerá de improviso. E por causa da fumaça e do fedor do enxofre do abismo, os dias se tornarão trevas até a decima hora. Então todos os homens dirão: Penso que o fim se aproxima e que nós morreremos. Esses são os sinais do terceiro dia. E no quarto dia, na primeira hora, a terra do oriente falará, o abismo estrondará e então toda a terra será abalada violentamente por um terremoto. Naquele dia todos os ídolos dos pagãos cairão e, com eles, todos os edifícios da terra. Esses são os sinais do quarto dia. E no quinto dia, na sexta hora, um trovejar imprevisto soará no céu e as Potencias da luz e da roda do sol serão destruídas e haverá trevas intensas sobre a terra, até a noite, e as estrelas serão retiradas de sua missão. Naquele dia todas as nações terão ódio ao mundo e desprezarão a vida desse mundo. Estes são os sinais do quinto dia. E no sexto dia haverá sinais no céu. Na quarta hora o firmamento do céu rachará de oriente a ocidente. E os anjos dos céus olharão de cima através da abertura dos céus. E todos os homens verão da terra as cortes angélicas que olham do céu. Então todos os homens fugirão. Esses são os sinais do sexto dia. E no sétimo dia, na oitava hora, haverá vozes nos quatro cantos dos céus. E todo o ar será abalado, encher-se-á de anjos santos que farão guerra entre si o dia todo. Então os homens perceberão que a hora de sua destruição se aproxima. Esses são os sinais do sétimo dia. E quando os sete dias tiverem passado, no oitavo dia, no meio do céu, uma voz meiga e doce. Então surgirá aquele anjo que tem o poder sobre todos os anjos e todos avançarão para libertar os eleitos que acreditaram. E alegrar-se-ão porque a destruição desse mundo já se terá consumado.
                                                                       Apocalipse de Tomé.
                                                                                 
                                                                                 
Os dois homens foram surpreendidos pelo filho do mal que os aguardava na Sala Sagrada.
- É uma honra estar diante da vossa presença, Santidade – falou aquele que já recebia a alcunha de anticristo.
O secretário tentou partir para cima do filho do mal e logo foi segurado pelos homens que o acompanhava.
- O que o senhor deseja? – perguntou o Papa.
- Aquilo que está sobre vossa guarda. – respondeu o filho do mal, já indicando para um de seus homens que retirasse das mãos do Santo Padre o Grande Sétimo.


No dia seguinte ainda antes mesmo das orações do Santo Padre e de sua refeição matinal, o secretário Rafael receberia um pedido:
- Vamos deixar uma viagem agendada para as terras onde pretendemos criar uma nova sede.
- Vossa Santidade pretende deixar por algum tempo o Vaticano em virtude das guerras que vem acontecendo?
- Amigo Rafael, tive alguns pressentimentos, por enquanto agende uma viagem urgente e no decorrer dos acontecimentos se precisarmos realmente já estaremos prontos.
- E por quanto tempo ficaremos distante?
- Marque uma temporada de em torno de vinte dias para daqui a uns três meses.
- Vossa Santidade acredita que as coisas realmente vão desencadear algo muito grave não é mesmo? – perguntou o secretário anotando em um pequeno papel os pedidos de seu líder como era de costume e surpreso porque o Papa sempre pareceu resistente a essa atitude.
- Tenho quase certeza amigo, parece que as profecias estão se cumprindo a risca e portanto temos que seguir o seus roteiros. – falou o Papa dando um pequeno sorriso.
- O que fez Vossa Santidade pensar nessa possibilidade? Sempre acreditei que não gostaria de partir do Vaticano mesmo nos dias mais difíceis que ele possa enfrentar!
- Ouvi uma a voz do Espírito falar em meu coração.
- E o que ela dizia?
- Que ouvisse o vosso conselho, nesse caso. – falou o Papa com um sorriso aberto.
- Tenho insistido muito nessa nossa viagem Santidade, porque tenho lido muito e me parece que ‘As Taças da Ira’ estão sendo derramadas sobre a humanidade conforme está escrito. - disse o secretário se referindo ao decimo sexto capítulo do Apocalipse.
‘Depois ouvi uma voz forte que saía do templo e dizia aos sete anjos: “Ide e derramai sobre a terra as sete taças do furor de Deus”. O primeiro anjo saiu e derramou sua taça sobre a terra. Apareceu uma úlcera maligna e dolorosa nas pessoas que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem. O segundo anjo derramou a sua taça no mar. E o mar virou sangue, como se um morto, e morreram todos os seres que viviam no mar. O terceiro derramou sua taça nos rios e nas fontes de água, que viraram sangue. Ouvi então o anjo das aguas dizer: “Justo és tu, aquele que é e que era, o Santo, porque julgaste estas coisas. Eles derramaram o sangue dos santos e dos profetas, por isso tu lhes deste sangue para beber. Eles bem o merecem.” Então ouvi uma voz que vinha do altar dizer: “ Sim, Senhor Deus todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus julgamentos”. O quarto anjo derramou sua taça sobre o sol, e a este foi concedido queimar as pessoas em fogo. Elas foram queimadas por grande calor e blasfemavam contra o nome de Deus que tem poder sobre as pragas, mas não se arrependeram para dar-lhe glória. O quinto anjo derramou sua taça sobre o trono da besta, e o reino dela cobriu-se de trevas. As pessoas mordiam a língua de dor e blasfemavam contra o Deus do céu por causa de suas dores e ulcera, mas não se arrependeram de suas obras. O sexto anjo derramou sua taça sobre o grande rio Eufrates. A agua do rio secou, abrindo assim um caminho para os reis do Oriente. Vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos impuros, semelhantes a sapo. São espíritos de demônios que fazem milagres e se dirigem aos reis de toda a terra, a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso. – “Eis que venho como um ladrão. Feliz quem vigia e conserva suas vestes, para não andar nu e para que não vejam a sua vergonha”. – Eles os reuniram num lugar que, em hebraico, se chama Harmagedon. O sétimo anjo derramou sua taça no ar. Saiu então do templo, perto do trono, uma voz forte disse: “Está feito”. Houve relâmpagos, estrondos, trovoes e um terremoto tão grande como nunca houve desde que existem seres humanos na face da terra. A grande cidade partiu-se em três, e as cidades das nações viraram ruinas. E a grande Babilônia foi lembrada diante de Deus, para receber o cálice de vinho do furor da tua ira. Todas as ilhas sumiram e os montes desapareceram. Uma tempestade de granizo, com pedras de vinte e trinta quilos, desabou sobre as pessoas. Elas blasfemaram contra Deus por causa do flagelo de granizo, pois a calamidade foi terrível.’
Algumas semanas após essa conversa o filho do mal que já vinha governando parte do planeta a alguns anos reuniu suas legiões e definitivamente as direcionou para o oriente médio e o sol criado pela mão humana foi liberado derramando seus venenos por toda a região. Os ventos espalhariam a desgraça por outros continentes. Todos começaram tentar fugir para os quatro cantos do mundo.
Nesses mesmos dias o sistema solar começou também a sofrer grandes transtornos por causa de sua passagem pela zona cinzenta. O sol começou a sofrer alterações e ser bombardeado por elementos errantes. Os céus tornaram-se perigos todos os dias e todas as noites.
Quando para o Santo Padre chegou o dia em que viajaria para as terras escolhidas ficou com profundas duvidas se deveria realmente se afastar do Vaticano em dias tão difíceis e novamente chamou seu secretário.
- Eminência acho melhor você levar uma comitiva para a terra escolhida enquanto fico por aqui enfrentando todas as dificuldades.
- Santidade, vamos fazer uma viagem apenas de alguns dias se as coisas realmente piorarem e se desejar voltaremos para ficar diante de nossos compromissos com a Santa Sé.
- Vai ficar claro que estamos fugindo com medo de todos os acontecimentos e prometi para mim mesmo que nesses dias estaria diante de nossa Igreja acontecesse o que acontecesse.
- Entendo sua preocupação, mas quem sabe poderíamos mudar temporariamente a sede de nossa Igreja para um outro lugar distante desses conflitos. – falou o secretário com uma ideia que lhe tinha surgido do nada.
- Ótima ideia meu amigo, farei isso só que de outra maneira. Vamos viajar no dia marcado. – concluiu o Santo Padre.
O secretário ficou espantado sem querer perguntar o que era que o Papa estava imaginando.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Capítulo 18 - A TRINDADE


Capítulo 18
A Trindade
                                                                                                                            
            

              

E ele, o ímpio, inflará a ciência da vaidade, a tal ponto que ela se afastará do caminho certo e conduzirá as pessoas à perda da Fé na existência de Deus, de um Deus em Três Pessoas...
Então Deus, infinitamente Bom, verá a decadência da raça humana, e abreviará os dias, por amor do pequeno número daqueles que deverão ser salvos, porque o inimigo desejaria arrastar mesmo os eleitos à tentação, se isso fosse possível.
Então a espada do castigo aparecerá de repente e derrubará o corruptor e seus servidores.
                                                           São Nilo
                                                                                  


De forma lenta o Santo Padre agachou-se e colocando suas duas mãos abertas colocou os dois anéis que estavam nos dedos de suas mãos e o chefe da guarda ouviu um pequeno estalo Depois repetiu a mesma operação na parte inferior da estrela cravada no chão e ao dirigir-se ao centro da estrela disse:
- Aqui preciso de sua ajuda, chefe. Pegue esse anel e o encaixe nessa abertura lateral, quando  eu disser você o gire para tentarmos abrir a trava central.
O chefe da guarda pegou o anel e o colocou no feche esperando a ordem do Papa, assim que isso ocorreu ele girou o anel e pode se ouvir a trava abrir-se. Ao retirar-se um pouco de cima do mármore do centro a pedra subiu sem esforços.
- Ajude-me a movê-la para o lado chefe. – disse o Papa tentando arrastar o peso para uma das laterais.



Os pergaminhos foram levados secretamente para os aposentos do Papa e lá começaram a ser estudados pelo monge, pelo Santo Padre e por seu secretário que era um profundo conhecedor de latim e hebraico. Eles estavam escritos aparentemente em duas línguas, os títulos que pareciam lembrar um hebraico antigo e que por não parecerem ser palavras, provavelmente eram números e o final do pergaminho também pareciam estar escrito na mesma língua e os dizeres estavam com certeza inscritos em latim.
- Vamos dispô-los na mesma ordem que encontramos na sala. – disse o Papa e já pegando um deles e os estendendo sobre sua mesa de trabalho e os outros dois homens ficaram olhando e se perguntando como o Santo Padre podia lembrar-se da ordem.
Os testos estavam bem conservados e eram tratados pelos três homens como relíquias inestimáveis.
- Qual deles será o primeiro? – perguntou o monge.
- Provavelmente não há nem primeiro nem último. – respondeu o secretário.
- Isso mesmo. Vamos colocá-los de forma hexagonal como os encontramos na pequena câmara.
 - Todos os seis pergaminhos tinham as letras em hebraico inicialmente e abaixo um símbolo e depois começam com a mesma frase: ‘Sob o Reino do Messias’. – falou o secretário olhando para o hexágono interno que se formou unindo o topo dos seis pergaminhos posicionados sobre a enorme mesa.
- O que mais pode se ver nos escritos secretário? – perguntou ansiosamente o monge.
- Cada pergaminho representa uma força.
- Como assim! – foi logo exclamando o Papa.
- Terra, fogo, agua, ar.
- E os outros dois? – questionou o monge.
- O Filho e o Espírito Santo. – respondeu o secretário.
- Por isso debaixo do que acreditamos ser números existe o símbolo de cada elemento representando essas forças. – afirmou o Santo Padre.
- Continuo não entendendo ainda o quebra-cabeça. – disse o monge.
Enquanto isso o secretário rodeava a mesa tentando decifrar as outras partes.
- Vamos começar então pelo pergaminho que representa o elemento terra. Ele possui o  que acreditamos ser um numero e não uma palavra, depois o símbolo que representa a terra e todos começam com a frase: ‘Sob o Reino do Messias’. Vou tentar traduzir de forma rápida, só que depois teremos que debruçar sobre os escritos, pois posso estar equivocando-me na forma de tradução. – disse o secretário pegando o pergaminho nas mãos e continuou – no mundo das manifestações onde todas as sementes germinam o Filho do homem ordenou seu poder e assim colocou suas ações a Serviço do Senhor.
O secretário parou por um instante parecendo não compreender alguma coisa.
- Mais alguma coisa secretário? – perguntou o Papa.
- Sim Santidade, só que parece agora estar em hebraico antigo e não domino a língua. Parece-me uma oração ou alguma citação, não sei dizer exatamente. Talvez uma frase dos Salmos, sem a sua citação.
- Entendo, vamos tentar decifrar apenas superficialmente os pergaminhos, depois Miguel tentará revelar com calma tudo que for possível.
- Então vamos para outro pergaminho. – disse o monge com uma voz ansiosa.
O secretário pegou um novo pergaminho e seguiu:
- Sob o Reino do Messias. Do mundo em que nossos sonhos brotam o Filho do homem ordenou as suas emoções e colocou suas construções a Serviço do Senhor. Depois disso mais um trecho daquilo que parece ser uma oração ou um pedido.
De forma natural o secretario foi pegando pergaminho a pergaminho sem ser interrompido pelo Monge ou pelo Papa que aguardavam ansiosamente as outras revelações. E o secretário prosseguiu:
- Esse outro pergaminho refere-se ao elemento ar. Sob o Reino do Messias, do mundo em que surgem os pensamentos, o Filho do Homem organizou as palavras e colocou suas ideias a Serviço do Senhor.
Agora o pergaminho do fogo, não é isso secretário? – disse o monge.
- Verdade, e novamente: Sob o Reino do Messias, do mundo em que os desejos se constroem o Filho do Homem purificou seu ser e colocou sua vontade a Serviço do Senhor.
- Parece que os elementos da manifestação devem ser transmutados e colocados a serviço de Deus. – falou o Papa concluindo seu entendimento.
- O quinto pergaminho que colocamos na ordem então se refere ao Filho e ele tem como símbolo a cruz não é mesmo secretário? – disse o monge já olhando para o penúltimo pergaminho sobre a mesa.
- Sob o Reino do Messias, o Filho do Homem conquistou equilíbrio para sua natureza humana e colocou seu ser por completo a Serviço do Senhor.
- Foi como Vossa Santidade disse. E o sexto pergaminho secretário. Fale sobre o Espírito Santo. – disse o monge sem perder sua ansiedade.
- Sob o Reino do Messias, todas as legiões celestiais se colocaram à disposição das obras do Filho ao Serviço do Senhor.
- Provavelmente exista o sétimo pergaminho e que se refere ao Pai onde todos os planos devem estar descritos. – falou o Papa pensativo.
- Onde vocês encontraram esses seis pergaminhos não existiam outros? – perguntou o secretário.
- Provavelmente ele está naquela sala que parece ser o coração de tudo isso e naquele instante não tivemos tempo de olhar com mais calma. No centro da sala existia uma espécie de cofre onde encontramos os seis pergaminhos que rodeavam a joia dourada.
- O sétimo pergaminho provavelmente está junto à pedra dourada, Santidade. – afirmou o monge.
- O Grande Sétimo segredo. – falou o Papa.
- Santidade, gostaria de pedir-lhe um favor. – falou o secretário.
- Qual seria amigo?
- Gostaria de poder ver essa sala.
- Claro, assim que pudermos você irá comigo. Mas antes precisamos debruçar melhor sobre o conhecimento que temos nesses seis pergaminhos. Ainda não sabemos o que está escrito no final de cada um deles e mais, precisamos tentar decifrar se as letras que iniciam eles são números ou palavras. – falou o Papa.
- Vou verificar quando poderemos achar uma brecha na agenda de Vossa Santidade para que possamos ter um tempo maior para observar esse tesouro. – confirmou o secretário.
- Jovem Miguel você acredita que necessitará quanto tempo tentar decifrar o que precisamos?
- Tenho excelentes amigos que trabalham na Biblioteca e que poderão me ajudar nisso Santidade.
- Miguel, você vai copiar o que está nos pergaminhos e tentar decifrar o que eles estão querendo nos dizer, porque vou trancafiá-los em meu cofre particular para não corrermos nenhum tipo de risco novamente. Tome também muito cuidado para quem irá fazer as perguntas, sabemos que estamos sendo vigiados por todos os lados.
- Entendo claramente Santidade e acredito que em alguns dias devo ter as respostas.
- Então ficamos combinados de voltarmos em alguns dias para as catacumbas em busca de desvendarmos o que está no coração disso tudo.