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quinta-feira, 21 de março de 2013

Capítulo 33 - AS CIDADES


Capítulo 33
AS CIDADES
                                                                                                                            
                                                                         


              

 “...Roma, a Roma esplendida dos mármores será transformada em uma enorme montanha de cinzas infectas”
                                                           Monge Olivetan
                       


                                                                                 
- Tragam-me os elementos que precisamos para realizar minha ascensão. – disse o filho da perdição para aqueles que o acompanhava.
Foi então que o falso profeta apareceu, aquele mesmo que o Santo Padre havia ameaçado de excomunhão. Depositou no chão da Sala Sagrada uma maleta escura, abriu-a e de dentro começou a retirar as relíquias que tanto foram procuradas durante o pontificado.
- Você não sabe o que está fazendo!  - falou o Papa ao filho do mal.
-Sua Santidade está completamente enganada sei perfeitamente o que estou realizando.
- E o que você acredita estar realizando?
- Abrindo as portas das forças que para cá me enviaram e ao mesmo tempo retornando para minhas origens. – respondeu o filho do mal.




Depois de horas de voo de retorno, o Santo Padre estava se aproximando de Roma para se dirigir aquilo que ele acreditava ser seu sacrifício final. Olhando pela janela do avião observou como são na verdade a grande maioria das cidades desse tempo:
“Podia-se ver as casas e os edifícios da cidade olhando de cima, como também podia se imaginar o que estava agora na cabeça das pessoas. Elas agora normalmente buscavam apenas consumir. Antes fosse educação ou quem sabe uma boa comida, mas não era somente isso, passaram a sentir somente alegria em compras fúteis que lhe traziam apenas prazer momentâneo. Então compram um amontoado de bugigangas, compram também, sexo acreditando que somente assim poderão se aproximar do amor. Todos estão agora sempre correndo e sempre atarefados. Um dia de vinte quatro horas tornou-se um tempo pequeno para realizar todas as tarefas, que se resumem praticamente em ficar diante de um universo de coisas externas e nunca diante de si mesmos. A sociedade se corrompeu por um deus monetário, isso porque ele pode lhes fornecer todos os prazeres que as mãos podem alcançar. Assim praticamente todos se corrompem querendo acumular bens e capitais. Bens como a verdade ou a justiça são desprezados e coisas essenciais como a caridade e a compaixão são desconhecidas. Eles, correm, correm e correm atrás daquilo que é transitório, e não percebem que o eterno está muito mais numa corrida para si mesmos. Os que têm mais tem infinitas vezes mais do que aqueles que tem menos. Para onde carregarão todo o excedente? Os que têm menos carregam mais, mesmo sem perceber.”
“De cima também se podem ver as almas desgovernadas andando pelas ruas, ora largas, ora estreitas. Abandonadas por causa da corrente individualista que vem escravizando toda uma sociedade. Nas praças já não se buscam os verdadeiros valores. O centro do centro agora são os vícios que invadiram até as almas mais puras. Drogas fizeram com que pais, filhos e até avós se amontoassem pelos cantos. Estão alucinados querendo escapar de uma realidade que nem mesmo os mais perversos imaginaram um dia poder criar. Querem alívios para as suas dores e encontraram apenas ilusões. Onde estão os anjos! Diz então aquele que viu os anjos, o Apostolo João:”
‘Depois vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder. A terra ficou iluminada com sua glória. Ele gritou com voz potente: “Caiu, caiu a grande Babilônia. Tornou-se morada de demônios, refugio de todo espírito impuro e abrigo de toda ave impura e repugnante. Pois com o vinho do furor da sua prostituição embriagaram-se todas as nações, com ela se prostituiram os reis terra. Também os comerciantes da terra se enriqueceram com seu luxo desenfreado”. Ouvi outra voz do céu que dizia: “Saí dela, meu povo, para não serdes cumplices de seus pecados, para não vos atingir parte de suas pragas. Os seus pecados se amontoaram até o céu, e Deus se lembrou de suas injustiças. Pagai-lhe com a mesma moeda, e dai em troca o dobro de suas obras. Na taça que preparou, preparai o dobro. Na mesma proporção em que se envaideceu e entregou-se ao luxo, dai-lhe pranto e tormento. Já que disse em seu coração: ‘Como rainha estou sentada, não sou viúva nem jamais verei luto’, por isso num só dia virão sobre ela as calamidades: a morte, o pranto, a fome, e ela será devorada pelo fogo, pois poderoso é o Senhor Deus que a julgou”. Por sua causa hão de chorar e lamentar-se os reis da terra que com ela se prostituiram e se entregaram ao luxo, quando virem a fumaça de seu incêndio. Parados ao longe, com medo do seu tormento, dirão: “Ai, ai, Babilônia, grande cidade, cidade forte, porque bastou uma hora para o teu julgamento!” Também os comerciantes da terra vão chorar e ficar de luto por causa dela, pois ninguém mais lhes compra as mercadorias: carregamentos de ouro e prata, pedras preciosas e perolas, linho e purpura, seda e escarlate, todo tipo de madeira defumada, objetos de marfim, de madeira preciosa, de bronze de ferro e de mármore, canela, temperos e perfumes, mirra e incenso, vinho e azeite, flor de farinha e trigo, animais de carga e ovelhas, cavalos e carros e vidas humanas. Os frutos que cobiçavas afastaram-se de ti, a opulência e o esplendor terminaram para ti, e não mais serão encontrados. Os comerciantes dessas mercadorias que enriqueceram pararão ao longe com medo de seus tormentos, chorando e lamentando-se assim: “Ai, ai, grande cidade, que se vestia de linho, purpura e escarlate, que se enfeitava de outro, pedras preciosas e perolas, bastou uma hora para destruir tanta riqueza!” Todos os pilotos, navegantes, marinheiros e todos que trabalharam no mar pararam ao longe e exclamaram ao ver a fumaça do incêndio: “ Que cidade era igual à grande cidade?” Jogaram pó sobre as cabeças e gritaram entre prantos e lamentos: “ Ai, ai grande cidade. Com tua fartura enriqueceram-se todos os armadores do mar. Bastou uma hora para seres destruída!” Alegra-te, ó céu, por causa dela, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus julgou a vossa causa contra ela. Então um anjo poderoso levantou uma pedra como uma grande mó e atirou-a ao mar, dizendo: “Com a mesma força será atirada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será encontrada. Nunca mais se ouvirá nela a voz dos citaristas e dos músicos, dos flautistas e dos tocadores de trombeta, nem artesão de qualquer arte será jamais encontrado em ti. O ruído do moinho já não se escutará, a luz da lâmpada já não luzirá, nem se ouvirá a voz do esposo e da esposa, porque teus comerciantes eram os grandes da terra, e as tuas magias seduziram todas as nações, e nela foi encontrado o sangue dos profetas, dos santos e de todos que foram mortos sobre a terra”.’
O Santo Padre diante do que via ao observar Roma como também outras tantas cidades inclusive o Vaticano, concluiu em seus pensamentos: “As cidades tornaram-se Babilônias, corromperam-se em sua essência”.      
Ao aterrissar, o avião provocou uma forte turbulência e o Papa brincou com seu novo Secretário:
- Parece que as turbulências já começaram antes mesmo de chegarmos ao Vaticano.
- Santidade, em minha nova função, procurei acompanhar de perto as notícias do oriente, através dos amigos que fiz quando ainda era o Patriarca de Jerusalém. As notícias não são nada boas. A guerra se intensificou profundamente e a Besta que vem querendo dominar o mundo está tentando jogar suas garras sobre a Europa.
- Agora ele mostrará realmente porque veio a este mundo. – disse o Papa recordando-se do filho do mal na primeira vez em que o viu numa das audiências no Vaticano.
 - Sua guerra é perversa. Vem arrasando os países pelos céus, mares, e terras. Levando desgraças por onde passa e ameaçando deflagrar definitivamente uma guerra atômica.
- Ele virá atrás de nós em busca daquilo que tanto quer. – falou o Papa
- O que ele tanto deseja Santidade? Destruir nossa Igreja? – perguntou o novo Secretário.
- Além de querer destruir nossa Igreja, Eminência, ele deseja para si o Grande Sétimo.
- Grande Sétimo! O que é isso, Santidade?
- É uma longa historia, que devagar vou lhe contando Eminência, agora vamos urgente ao Vaticano antes que cheguemos lá depois do filho do mal.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Capitulo 11 - AS LIBITINARIAS



Capitulo 11
AS LIBITINARIAS
                                                                                                                            
            



Adormecera havia pouco quando uma mão me tomou e me levantou. Encontrei-me sobre a colina e aos meus pés havia a cidade abençoada, mas dela conseguia distinguir claramente apenas o Coliseu. Todas as pilastras estavam decoradas com bandeiras vermelhas e rios de pessoas entravam pelas sessenta e duas portas, enquanto das arcadas superiores eram jogadas moedas de ouro que, ao caírem ao chão, porém, se transformavam em pequenas chamas que logo se apagavam. E as pessoas matavam-se para se apoderar de pelo menos uma moeda de ouro, mas, quando conseguiam pôr a mão em uma, logo percebiam que nada havia. As mãos seguravam apenas ar. Enquanto as pessoas continuavam a entrar, de repente abriu-se a porta libitinária e ocorreu uma grande perturbação. Pilastras e arcadas começaram a vacilar, a tremer, e depois blocos imensos caíram sobre as pessoas, tanto que ninguém já podia entrar, nem sair. Somente pela libitinária vi sair uma procissão de bispos e cardeais que, ao invés de rezar brigavam entre si.- Levam a Igreja de volta a Jerusalém – dizia alguém. – Acertaram um pacto com Satanás. Depois houve um forte trovão e levantou-se uma nuvem de pó. Quando reabri os olhos, no lugar do Coliseu havia um pequeno lago e sobre ele um anjo com uma inscrição na fronte: ‘Essa é a segunda prova’. Tudo isso amadurecerá, dizia a voz, na quarta estação. Mas, antes que o lariço esverdeie pela terceira vez, um granizo bem pior cairá sobre a cidade santa, agora reduzida apenas a uma espelunca de ladroes, onde a peste e o vicio serão o pão de cada dia e onde os bispos comerão ao mesmo prato dos malfeitores, enquanto os justos morrerão na prisão. E agora, disse-me a voz, quero que vejas a primeira prova que será enviada para a cidade santa. Então eu vi uma chama de fogo cair sibilando sobre a terra e encaixar-se entre as casas, não muito longe da basílica que foi mãe e mestra. E uma voragem enorme abriu-se, engolindo casas, ruas e pessoas. Tudo isso amadurecerá quando toda a cidade for Roma e quando a Roma chegar um potro negro com uma mancha vermelha sobre a garupa.
                                                           Monja de Dresden.                     
  






- Agora Chefe, preciso de sua ajuda para abrir essa passagem – disse o Papa pegando na mão do Chefe da Guarda e indicando de que forma ajudaria na abertura da porta.
O Chefe da Guarda compreendendo o que deveria ser feito, forçou a porta para dentro que era o sentindo em que ela abriria.
A luz assim foi aparecendo lentamente e os dois homens não conseguiam olhar para a claridade. O Chefe da Guarda Suíça tomou a iniciativa de entrar no novo ambiente que para ele era desconhecido e ficou impressionado com a Sala Sagrada..
- Que lugar é esse Santidade?




Ao se retirar do Vaticano dentro do carro que o levaria as suas férias em Castel Gandolfo, o Papa pediu ao seu motorista que caminhasse lentamente para que ele tivesse oportunidade de observar de forma melhor o caminho que iriam percorrer.
O Pontífice estava ansioso para seu descanso, ele considerava estar passando por uma primeira fase de seu pontificado. Porém estava sentindo-se esgotado e nesses primeiros dias desse descanso queria dizer a si mesmo para começar a desacelerar de suas intensas atividades. Tinha plena consciência que não iria parar, mas o que queria mesmo era que a quebra daquela constante vida de audiências pudesse fazer com que sua mente fluísse melhor na busca daquilo que estava florindo de seu próprio inconsciente.
‘Tudo está acontecendo dentro da Divina Ordem. ’ – disse mentalmente a si mesmo na tentativa de se acalmar.
O automóvel durante o trajeto desacelerou um pouco e surgiu aquela impressão de que tudo ao seu redor estava parado enquanto o carro em que ele estava se mantinha em movimento. Essa impressão que as coisas estavam se movimentando numa ordem contrária fez com que a consciência do Papa se deslocasse de alguma forma para fora do veiculo que o conduzia. Primeiro, viu o teto do carro depois começou a subir como se estivesse levitando e assim pode ver a Catedral de São Pedro de cima e logo todo o Vaticano. Também viu o rio Tibre e sete colinas que pareciam mais sete portais. Isso tudo porque sua consciência além de sair do espaço também foi além do tempo. Uma das colinas se mantinha esbranquiçada, enquanto duas delas pareciam estar em chamas e através delas uma multidão de forças vermelhas invadia Roma. Os dois portais permitiram que os invasores trouxessem as guerras mais profundas ao mundo. De outras duas montanhas agora negras podiam-se ver seres esqueléticos saírem dos portais e andarem pelas ruas em busca de comida e mesmo quando a encontravam não conseguiam se alimentar dela. Então dos últimos dois portais surgiu uma névoa amarela que invadiu toda a Terra e podia se ver as almas sendo retiradas para o universo sutil e carregavam consigo todas as dores enfrentadas.
 De repente, o carro parou.
- Perdoe, Santidade. Um cachorro atravessou repentinamente e o motorista teve que dar uma freada brusca. – disse o secretario do Papa que estava sentado ao seu lado.
O Papa não entendeu o que dizia o seu Secretário. Sua atenção estava dividida entre os tempos de sua consciência.
- Santidade o Senhor está bem? – insistiu o secretário tentando entender a reação do Papa.
O Pontífice demorou ainda alguns segundos para se sentir novamente sentado no banco do automóvel.
- Santidade!
- Estou bem Secretário. – respondeu tranquilamente o Papa.
O carro depois do susto seguiu em marcha lenta e a mente do Pontífice foi também apesar da experiência inusitada, seguindo calmamente o caminho que ia percorrendo.
A viagem foi extremamente curta pelo menos foi o que sentiu psicologicamente o Papa, sua experiência de alteração de consciência fez com que o trajeto de alguns quilômetros para o seu local de férias parecesse ter ocorrido apenas em alguns minutos.
Quando chegou a pequena cidade o Santo Padre sentiu o ar completamente diferente da metrópole Romana. Abriu um pouco o vidro do automóvel e deixou entrar aquela sensação de cidade do interior. O dia estava lindo e o Lago Albano parecia ser um espelho que refletia o céu azul.
Mudar de ares pode também mudar nosso estado de espírito e normalmente para melhor.
O Pontífice se sentiu bem melhor naquele lugar e não era a sensação de férias, pois sabia que nunca mais em sua vida tiraria realmente umas férias de poder se retirar completamente de tudo, era sim uma sensação de que poderia de alguma forma ficar um pouco mais consigo mesmo e poder assim dar por alguns dias uma atenção maior para seu estado de espírito mais profundo.
Assim que se instalou o Papa seguiu para a sacada do castelo por onde podia ver toda a  paisagem que cercava a linda cidade. Ficou maravilhado e as sensações que tinha tido com a visão de Roma também foram retomadas, agora pela mente que gostaria de desvendar os mistérios.
Muitos dos enigmas não estão ligados a região da mente e sim a um universo maior do ser.
Veio então em sua mente o monge Miguel que havia dito rapidamente ao Papa que tinha muitas novidades quanto aos seus sonhos e a estrela de seis pontas. O monge estaria ali apenas no dia seguinte, então o Pontífice resolveu relaxar e se colocar em estado de agradecimento por poder estar diante de tal beleza da natureza.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

capitulo 02 - A CHEGADA


A CHEGADA

                                                                                                                            
            ”Ele chegará a Roma de uma terra distante para encontrar tribulação e morte.”
                                  Monge de Pádua



- Não podemos mais permanecer aqui Vossa Santidade. Temos que nos retirar urgentemente. – disse em tom de desespero o chefe da Guarda Suíça, já quase tocando o Papa e também olhando de relance pela janela do Palácio.
No entanto, aquela voz ainda parecia soar distante na consciência do Papa e sua atenção continuava numa retrospectiva do passado.


O acontecimento daquele dia de sua ordenação tornou-se um divisor de aguas em sua consciência. Porém, aquele anúncio que tinha recebido o padre era maior do que ele podia suportar. Então criou coragem e procurou o seu mentor espiritual, o bispo de sua região. Ele era um homem tranquilo tinha acompanhado a caminhada daquele homem desde que ainda menino, havia chegado a um dos seminários da região. Logo percebeu seus esforços e sua determinação nos estudos, se tornaria brevemente um brilhante teólogo, um homem construindo sua fé.
- Senhor, lhe pedi uma audiência, porque vivi uma experiência que não pude entender.
- Claro meu padre. – disse o bispo esperando do novo presbítero esclarecimentos sobre quais seriam suas novas funções.
Então o padre começou a contar ao seu bispo tudo o que tinha ocorrido durante a cerimonia de sua ordenação, principalmente em relação ao anuncio que ele considerava agora ser uma revelação sobre o seu destino. Os olhos do padre se encheram de lágrimas após vários minutos de narração. O bispo ouviu atentamente o seu padre e no final do relato pronunciou calmamente:
- Nosso destino pertence Àquele que nos enviou.
O padre ficou atônito. Observou que o Bispo não tinha dado importância ao seu relato. Só depois de muito tempo, entenderia que aquele homem já bem experiente estava querendo lhe dizer que mais importante do que ficar esperando um evento acontecer, deveria ser viver intensamente todos os dias de sua vida.
- O que você gostaria de fazer para suas atividades? Gostaria de trabalhar numa paróquia da diocese ou prefere continuar sendo um formador de vocações? – disse o Bispo querendo lhe dizer para que seguisse o rumo da vida.
- Se o senhor me permitir, gostaria de continuar meu trabalho nos seminários.
O bispo conhecia sua vocação apesar de sua pouca idade e o nomeou um dos professores responsáveis pela formação dos jovens seminaristas.
Durante anos a rotina numa diocese principalmente como professor de um seminário e ainda longe dos centros mais importantes da Igreja parecia tornar aquela profecia algo imensamente distante do seu verdadeiro destino.
 Poucos são os que percebem que estão sendo preparados no dia a dia para assumirem aquilo para o qual foram destinados.
Quem pode ser maior do que o seu próprio Destino?
- Padre, você gostaria padre de aperfeiçoar seus estudos em Roma? – disse o bispo ao seu melhor professor.

O bispo e o padre estavam numa conversa informal no pátio do seminário e o padre sentiu seu coração reconhecer que seu destino estava agindo.
- Como assim senhor? – disse o padre sentindo dentro de si uma alegria descomunal.
- Conversei com nosso Arcebispo e ele pediu que eu indicasse alguém para aprofundar seus estudos de teologia em Roma e eu pensei em você. – concluiu o bispo como se aquilo fosse a coisa mais rotineira do mundo.
- Seria um imenso prazer. – respondeu o padre expressando plena certeza.
- Você não gostaria nem de pensar, ficará distante de nosso país por anos completando seus estudos.
- Vossa Excelência Reverendíssima. – falou o padre desligando-se de tudo que estava ao seu redor naquele pátio e procurando fitar os olhos do bispo concluiu – é o que mais desejo realizar em minha vida. Não tenho dúvida alguma sobre esse vosso pedido. Quando posso partir?
- Acalme-se. – afirmou o bispo com o mesmo sorriso de sempre no canto dos lábios. – tenho que indicar o seu nome e o nosso Arcebispo tentará providenciar os tramites.
Foram os dias mais longos para o padre. Quando a resposta positiva chegou ele era o homem mais feliz daquele tempo.
Preparou suas malas e quando colocou pela primeira vez seus pés em Roma, sentiu pisar em terra conhecida.  Olhava para os prédios da cidade como quem olha para as casas em que morou quando ainda era criança. Respirava o ar e se recordava de uma memória distante que ainda nem se quer conhecia. Surgiu em seu ser a sensação de que estava onde realmente deveria estar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

1ª Parte, O Conclave - capitulo 01, O ANUNCIO



1ª PARTE
  
O CONCLAVE










Capitulo 01
O ANUNCIO



Petrus Romanus, qui pascet oves in multistribulationibus; quibus transactis, civitas septicollis diruetur, et ludex tremendus iudicabit populum. Finis (Pedro Romano, que apascentará as ovelhas em meio a muitas tribulações. Passadas estas, será destruída a cidade das sete colinas e o tremendo Juiz julgará o seu povo. Fim.)
                                  São Malaquias
                                                                                                                            

Da quarta janela do quarto andar do Palácio Apostólico, o Bispo de Roma pode ver aquilo que ele nunca imaginou presenciar, a praça de São Pedro estava marejada de vermelho. As profecias sempre se referiram a esse dia, mas poucos acreditavam que tal vaticínio pudesse se cumprir.
- Vossa Santidade.
O Papa podia ouvir o chefe da sua guarda clamar por sua atenção, porém sua mente naquele instante foi além daquele espaço e daquele tempo, voltou para um momento distante do passado.


O jovem estava diante de um acontecimento que marcaria sua mente, como que traçando nela um mapa para o seu caminho. A experiência gravou uma imagem em sua consciência para todo o sempre.
- Santo Padre. – disse o homem chamando a atenção do recém nomeado presbítero e prosseguiu dizendo como se fosse uma urgência – tu te tornarás Papa e serás o ultimo de sua linhagem.
 Aquele jovem seminarista que vivia os últimos instantes da cerimonia de sua ordenação ouviu as palavras sem nada entender. Ficou em silêncio esperando que o homem continuasse a frase, só que ele virou as costas e seguiu pelo corredor central da Igreja da Glória na direção da saída.
O agora sacerdote estarrecido, não sabia o que fazer; se saísse correndo pelo corredor em disparada iria assustar a todos. Resolveu terminar a cerimonia de sua ordenação e depois ir para a praça daquela pequena cidade, mas que parecia estar toda ali naquele templo.
A cidade onde tinha sido ordenado não era a sua cidade natal, mas como seminarista, ficou por aquelas redondezas por um bom tempo de sua vida e não se recordava de conhecer aquele rosto que pronunciado aquelas palavras.
Era um dia especial para toda a comunidade, véspera do dia de Nossa Senhora e também a consagração de um jovem seminarista numa pequena cidade tinha se tornado o grande acontecimento. Mas mesmo diante de tudo isso, o novo sacerdote pediu licença por um instante principalmente para os seus familiares:
 - Gente, por favor, vou tomar apenas um ar do lado de fora da igreja e já volto.
 O novo sacerdote procurou se dirigir para a entrada da igreja. Não foi possível se quer chegar as suas portas, pois todos os participantes da celebração correram para cumprimenta-lo por aquele dia tão importante de sua vida. Era nítida a sua distração, pois conversava com alguém e a todo instante desviava sua atenção na busca de um novo encontro daqueles olhos que pareciam ter invadido sua alma com um anuncio.
Mesmo no meio da multidão, tentou reencontrar aquele homem, mas não conseguiu.
A procura naquele dia indicaria o caminho de seu destino.
Sua irmã, percebendo que algo estava errado se aproximou  do sacerdote, pegou em seu braço direito e sussurrou em seu ouvido:
- Irmão, você está bem? Aconteceu alguma coisa?
- Você viu aquele homem que se aproximou de mim no final da cerimonia? – responde o sacerdote com uma outra pergunta.
Ela conscientemente manteve a calma e continuou sussurrando em seu ouvido:
- Muita gente se aproximou de você o tempo todo.
- Não, mas ele era diferente. Tinha uma certeza profunda em seus olhos e me disse uma coisa que me pareceu um absurdo.
- E o que foi que ele disse?
Então o sacerdote recuou em sua procura desenfreada.
- Não sei dizer ao certo, sei que ele tinha um colar lindo e um pingente em forma de sol.
- Irmão você precisa se ater a este instante presente! As pessoas estão querendo a sua atenção.
Então o padre se tornou mais tranquilo tentando voltar sua atenção as pessoas ali presentes, mas não deixou de pensar consigo mesmo: “Será que aquele homem, não estava nesse tempo? Poderia ser algo de minha própria imaginação? Quem sabe algum tipo de tentação?” – pensou consigo mesmo o jovem sacerdote. 

Introdução - Petrus Secundus - O Último Papa



      PETRUS ROMANUS – O PAPA DO FIM DOS TEMPOS

No fim dos tempos as profecias se confirmam e durante um profundo conflito interno da Igreja, surgirá o Pastor que alimentará o seu rebanho entre muitas turbulências. Em seu pontificado travará uma luta incessante com as forças do anticristo na busca de desvendar os mistérios do Grande Sétimo. Nesse mesmo tempo, durante o Dia do Senhor, surgirá a liderança do novo messias, aquele que apascentará e conduzirá toda humanidade para um novo tempo.