sábado, 23 de fevereiro de 2013

Capitulo 11 - AS LIBITINARIAS



Capitulo 11
AS LIBITINARIAS
                                                                                                                            
            



Adormecera havia pouco quando uma mão me tomou e me levantou. Encontrei-me sobre a colina e aos meus pés havia a cidade abençoada, mas dela conseguia distinguir claramente apenas o Coliseu. Todas as pilastras estavam decoradas com bandeiras vermelhas e rios de pessoas entravam pelas sessenta e duas portas, enquanto das arcadas superiores eram jogadas moedas de ouro que, ao caírem ao chão, porém, se transformavam em pequenas chamas que logo se apagavam. E as pessoas matavam-se para se apoderar de pelo menos uma moeda de ouro, mas, quando conseguiam pôr a mão em uma, logo percebiam que nada havia. As mãos seguravam apenas ar. Enquanto as pessoas continuavam a entrar, de repente abriu-se a porta libitinária e ocorreu uma grande perturbação. Pilastras e arcadas começaram a vacilar, a tremer, e depois blocos imensos caíram sobre as pessoas, tanto que ninguém já podia entrar, nem sair. Somente pela libitinária vi sair uma procissão de bispos e cardeais que, ao invés de rezar brigavam entre si.- Levam a Igreja de volta a Jerusalém – dizia alguém. – Acertaram um pacto com Satanás. Depois houve um forte trovão e levantou-se uma nuvem de pó. Quando reabri os olhos, no lugar do Coliseu havia um pequeno lago e sobre ele um anjo com uma inscrição na fronte: ‘Essa é a segunda prova’. Tudo isso amadurecerá, dizia a voz, na quarta estação. Mas, antes que o lariço esverdeie pela terceira vez, um granizo bem pior cairá sobre a cidade santa, agora reduzida apenas a uma espelunca de ladroes, onde a peste e o vicio serão o pão de cada dia e onde os bispos comerão ao mesmo prato dos malfeitores, enquanto os justos morrerão na prisão. E agora, disse-me a voz, quero que vejas a primeira prova que será enviada para a cidade santa. Então eu vi uma chama de fogo cair sibilando sobre a terra e encaixar-se entre as casas, não muito longe da basílica que foi mãe e mestra. E uma voragem enorme abriu-se, engolindo casas, ruas e pessoas. Tudo isso amadurecerá quando toda a cidade for Roma e quando a Roma chegar um potro negro com uma mancha vermelha sobre a garupa.
                                                           Monja de Dresden.                     
  






- Agora Chefe, preciso de sua ajuda para abrir essa passagem – disse o Papa pegando na mão do Chefe da Guarda e indicando de que forma ajudaria na abertura da porta.
O Chefe da Guarda compreendendo o que deveria ser feito, forçou a porta para dentro que era o sentindo em que ela abriria.
A luz assim foi aparecendo lentamente e os dois homens não conseguiam olhar para a claridade. O Chefe da Guarda Suíça tomou a iniciativa de entrar no novo ambiente que para ele era desconhecido e ficou impressionado com a Sala Sagrada..
- Que lugar é esse Santidade?




Ao se retirar do Vaticano dentro do carro que o levaria as suas férias em Castel Gandolfo, o Papa pediu ao seu motorista que caminhasse lentamente para que ele tivesse oportunidade de observar de forma melhor o caminho que iriam percorrer.
O Pontífice estava ansioso para seu descanso, ele considerava estar passando por uma primeira fase de seu pontificado. Porém estava sentindo-se esgotado e nesses primeiros dias desse descanso queria dizer a si mesmo para começar a desacelerar de suas intensas atividades. Tinha plena consciência que não iria parar, mas o que queria mesmo era que a quebra daquela constante vida de audiências pudesse fazer com que sua mente fluísse melhor na busca daquilo que estava florindo de seu próprio inconsciente.
‘Tudo está acontecendo dentro da Divina Ordem. ’ – disse mentalmente a si mesmo na tentativa de se acalmar.
O automóvel durante o trajeto desacelerou um pouco e surgiu aquela impressão de que tudo ao seu redor estava parado enquanto o carro em que ele estava se mantinha em movimento. Essa impressão que as coisas estavam se movimentando numa ordem contrária fez com que a consciência do Papa se deslocasse de alguma forma para fora do veiculo que o conduzia. Primeiro, viu o teto do carro depois começou a subir como se estivesse levitando e assim pode ver a Catedral de São Pedro de cima e logo todo o Vaticano. Também viu o rio Tibre e sete colinas que pareciam mais sete portais. Isso tudo porque sua consciência além de sair do espaço também foi além do tempo. Uma das colinas se mantinha esbranquiçada, enquanto duas delas pareciam estar em chamas e através delas uma multidão de forças vermelhas invadia Roma. Os dois portais permitiram que os invasores trouxessem as guerras mais profundas ao mundo. De outras duas montanhas agora negras podiam-se ver seres esqueléticos saírem dos portais e andarem pelas ruas em busca de comida e mesmo quando a encontravam não conseguiam se alimentar dela. Então dos últimos dois portais surgiu uma névoa amarela que invadiu toda a Terra e podia se ver as almas sendo retiradas para o universo sutil e carregavam consigo todas as dores enfrentadas.
 De repente, o carro parou.
- Perdoe, Santidade. Um cachorro atravessou repentinamente e o motorista teve que dar uma freada brusca. – disse o secretario do Papa que estava sentado ao seu lado.
O Papa não entendeu o que dizia o seu Secretário. Sua atenção estava dividida entre os tempos de sua consciência.
- Santidade o Senhor está bem? – insistiu o secretário tentando entender a reação do Papa.
O Pontífice demorou ainda alguns segundos para se sentir novamente sentado no banco do automóvel.
- Santidade!
- Estou bem Secretário. – respondeu tranquilamente o Papa.
O carro depois do susto seguiu em marcha lenta e a mente do Pontífice foi também apesar da experiência inusitada, seguindo calmamente o caminho que ia percorrendo.
A viagem foi extremamente curta pelo menos foi o que sentiu psicologicamente o Papa, sua experiência de alteração de consciência fez com que o trajeto de alguns quilômetros para o seu local de férias parecesse ter ocorrido apenas em alguns minutos.
Quando chegou a pequena cidade o Santo Padre sentiu o ar completamente diferente da metrópole Romana. Abriu um pouco o vidro do automóvel e deixou entrar aquela sensação de cidade do interior. O dia estava lindo e o Lago Albano parecia ser um espelho que refletia o céu azul.
Mudar de ares pode também mudar nosso estado de espírito e normalmente para melhor.
O Pontífice se sentiu bem melhor naquele lugar e não era a sensação de férias, pois sabia que nunca mais em sua vida tiraria realmente umas férias de poder se retirar completamente de tudo, era sim uma sensação de que poderia de alguma forma ficar um pouco mais consigo mesmo e poder assim dar por alguns dias uma atenção maior para seu estado de espírito mais profundo.
Assim que se instalou o Papa seguiu para a sacada do castelo por onde podia ver toda a  paisagem que cercava a linda cidade. Ficou maravilhado e as sensações que tinha tido com a visão de Roma também foram retomadas, agora pela mente que gostaria de desvendar os mistérios.
Muitos dos enigmas não estão ligados a região da mente e sim a um universo maior do ser.
Veio então em sua mente o monge Miguel que havia dito rapidamente ao Papa que tinha muitas novidades quanto aos seus sonhos e a estrela de seis pontas. O monge estaria ali apenas no dia seguinte, então o Pontífice resolveu relaxar e se colocar em estado de agradecimento por poder estar diante de tal beleza da natureza.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Capitulo 10 - O FILHO DO MAL



Capitulo 10
O FILHO DO MAL
                                                                                                                            
            



“Será uma víbora e terá o nome de um santo, preto e vermelho será o seu manto.
As suas línguas serão bifurcadas e no tempo trocará muitas mudas.
Ódio, avareza e Babilônia serão a sua lei, trocada por amor pela miserável grei.
Tribo de Dan, eis o teu filho amado!
Vermelha maldade: o mundo todo tens envenenado.
Quando se acrescentar o um ao cinco no firmamento,
estará para chegar o grande momento.
Filho do mal, língua maligna,
serás queimado como a erva daninha!”
                                                                               Mago Ladino                     
  


A persistência deu resultado, após alguns minutos o Papa e o Chefe da Guarda estavam diante da porta de entrada da Sala Sagrada.
- Parece que estamos diante de uma porta. – falou o Chefe da Guarda apontando a luminosidade do celular para a parede diante de seus olhos.
- Espere vou destravar a porta. – disse o Papa tentando colocar um de seus anéis no que parecia ser algum tipo de fechadura.
O Chefe da guarda tomou a iniciativa novamente tentando com o celular acompanhar as mãos do Santo Padre na tentativa de destravar a porta.


Quando o Papa retornou de sua viagem a sua terra natal o seu pontificado já parecia estar completando vários anos dado o cansaço que estava sentindo. Foi então que o Pontífice resolveu tirar alguns dias de férias, mas não antes de receber líderes de vários países tentando o apoio de Sua Santidade para que se fossem criadas novas instituições mundiais que teriam assim capacidade de enfrentar a maior crise financeira da historia.
Todos estavam reunidos como numa enorme conferencia e um dos lideres se destacava com ideias inovadoras para um político que ainda era desconhecido pela maioria. Tinha voz eloquente e transmitia suas impressões sobre tudo que estava acontecendo com uma clareza descomunal. Bem vestido, trajava um terno negro impecável e uma gravata vermelha que fazia com que ele se destacasse de longe.
Logo o líder do Trono de Pedro percebeu que aqueles homens estavam ali apenas para legitimarem o que já tinham decidido. Era nítido que tudo já estava resolvido, o que eles queriam era centralizar de alguma maneira todas as formas de governo numa mesma liderança. A criação de um governo mundial, de um banco mundial, etc. E para agradar insinuavam que talvez uma religião mundial também fosse uma boa forma de melhorar o mundo. Só que eles já possuíam sua própria religião: o egocentrismo.
Depois de algumas horas quando tudo terminou todos se dirigiam ao Sumo Pontífice para pedir a sua benção. Foi quando o ainda desconhecido politico se posicionou diante do Papa. Não se curvou como os lideres católicos, não estendeu a mão como outros políticos, olhou profundamente nos olhos do Pontífice como que o desafiando para um combate. Parecia um encontro de adversários.
Já o Papa tentou olhar para dentro daquele homem. Foi quando sentiu uma sombra sobre a cabeça daquele que se apresentava como seu opositor. Um frio correu-lhe pela espinha e uma sensação desagradável tomou conta de seu corpo. Sua mente procurou vasculhar algo sobre aquele personagem e começou a sentir um desconforto como se sua pressão arterial tivesse se alterado repentinamente.


O homem de preto e vermelho disfarçou o acontecimento e estendeu a mão ao Pontífice com um sorriso enorme que começou pelo canto do rosto. O Papa se quer conseguia estender sua mão para o cumprimento. Seu secretário logo percebendo o mal estar do Pontífice o amparou segurando o seu braço esquerdo, enquanto isso o Papa estendeu sua mão e ao tocar o homem viu perfeitamente o vulto que o acompanhava.
O filho do mal estava presente. A Besta.
- Santidade o senhor está cansado, precisamos nos retirar. – disse o seu secretário já o conduzindo pelo braço para fora do ambiente e completou – por favor, nos desculpem, mas precisamos nos retirar para o descanso de Sua Santidade.
Sem maiores alardes, levaram rapidamente o Papa para os seus aposentos e logo chamaram seu médico pessoal.
- Aconteceu algo Santidade? Sua pressão arterial está disparada.
- Deve ser o cansaço Doutor, estou me sentindo estafado.
- Vou precisar medica-lo e sugiro que Vossa Santidade diminua de alguma forma a quantidade de trabalho.
- Vou tirar um período de férias. – disse o Papa falando também para o seu secretário que acompanhava tudo.
- É uma ótima ideia Santidade com certeza lhe fará um bem maior que os remédios que vou lhe indicar. De qualquer forma enquanto estiver aqui no Vaticano vou acompanhar de perto a vossa saúde.
Nem sempre nossas escolhas, são nossas próprias escolhas.
As audiências não parariam de acontecer com tantos acontecimentos e mesmo assim a disposição do Santo Padre havia reaparecido e voltou a enfrentar toda a sua agenda com força e disposição.
 Antes de sair definitivamente de férias o Papa convidou o monge Miguel para lhe acompanhar. Pediu para que ele reunisse todas as informações possíveis, pois o seu descanso seria na tentativa de definitivamente desvendar os enigmas que vinham acompanhando esse seu ainda curto pontificado.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Capitulo 09 - O ANEL DO PESCADOR



Capitulo 09
O ANEL DO PESCADOR

                                                                                                                            
             “Encontrei-me em um país desconhecido. Era um país cheio de casas, mas pelas ruas não havia viva alma. Bati em numerosas portas, mas ninguém abriu... As portas estavam apenas encostadas. Entrei. Em cada casa a mesa estava posta e a lareira acesa, como se os seus donos estivessem para chegar de uma hora para outra... Mas não havia seres vivos nem homens, nem animais.”
                                                                               Teresa Neumann                     
  


O Papa e o chefe da guarda caminharam pelo corredor completamente escuro. O chefe como era um homem sempre rápido em suas ações pegou o celular e conseguiu assim um pouco de luz no caminho.
- Santidade, estou sentindo meus pés encherem de água, parece que estamos descendo para uma poço!
- Não se preocupe Chefe, essa água deve vir de alguma fonte que corre por baixo das catacumbas. Na primeira vez que estive por aqui também fiquei assustado, a entrada do túnel fica num nível acima, logo a agua desaparece.
  


Próximo a realizar a primeira viagem de seu pontificado e que seria para a sua terra natal, o Sumo Pontífice tentou encontrar algo que se parecesse com os desenhos que lhe foram entregues pelo monge Miguel. Antes dessa procura ele teve um contato maior com o seu agora pesquisador, que lhe contou passo a passo, como tinha encontrado aquelas informações. Quis conhecer então com detalhes onde o monge havia deixado o livro e a surpresa foi enorme quando ao voltarem à Biblioteca descobriram que ele havia desaparecido.
Diante do ocorrido o Papa convocou o prefeito da Biblioteca e autorizou o monge a retirar e entregar qualquer obra que ele acreditasse ser importante nas mãos de sua Santidade. Pediu então para o monge que continuasse suas buscas em qualquer localidade. O que ainda eles não sabiam era que existia um arquivo secreto do arquivo secreto dentro do Vaticano.
A procura de algo parecido com um anel já era uma pista importante e o Pontífice então  sem despertar as atenções começou a vasculhar as relíquias que estavam por todos os cantos da cidade. Passou a percorrer todos os lugares e a observar atenciosamente para as todas as obras que estavam em vitrais, em murais, em colunas, etc. Nos aposentos e escritórios começou a prestar atenção em livros, mensagens escondidas, quadros e o logo percebeu que o símbolo da estrela de seis pontas com um centro parecia estar por todas as partes. Começo a observar que numa procura obstinada começa a se ver o que se quer ver por todos os lugares.
Uma das primeiras relíquias que procurou olhar com detalhes foi o Anel do Pescador (Anulus Piscatoris), que durante a cerimonia de Tomada Papal, o Decano do colégio dos Cardeais coloca no quarto dedo da mão direita do Papa e que depois de sua morte ou renuncia é destruído e com o mesmo material é forjado um novo anel para o sucessor. Ele inicialmente era utilizado como um sinete que selava documentos oficiais assinados pelo Pontífice.
O Papa pediu para que o anel fosse retirado do cofre e com ele em suas mãos ficou minutos meditando o que estava além daquelas imagens. O nome escolhido pelo Santo Padre estava gravado na parte superior e ao centro a imagem de São Pedro pescando num barco. Ele sozinho em seu quarto fechou os olhos e tocou no relevo do anel. Um nome, um pescador, uma rede, um barco. Aquele símbolo de hierarquia era provavelmente muito maior do que ele apenas representava. O eterno, o ilimitado.
Abriu os olhos e com isso veio uma ideia em sua mente. Se ele é destruído para ser reconstruído todas as vezes que ocorre uma sucessão, então provavelmente deve existir algum tipo de molde. Quem sabe exista um anel original que tenha dado origem a todos os outros e nele se encontre algo que todos os outros não contenham. De qualquer maneira ele estava comprometido com a viagem para a sua terra natal e isso ocorreria no dia seguinte, portanto a procura sobre o símbolo ainda teria que esperar.
Ao descer do avião ficou impressionado com a recepção em seu país natal, uma multidão incalculável estava a sua espera no aeroporto e o acompanhariam até o mosteiro onde pernoitaria. Durante toda a noite ocorreu uma intensa vigília. Aquilo emocionou o Santo Padre que decidiu após o jantar sair ir à sacada do prédio para saudar os seus semelhantes a quem tanto conhecia.
O Pontífice apareceu no parapeito e levantando as mãos procurou abençoar o seu povo. Ao olhar as milhares de pessoas com velas e voltadas para a sua presença, sentiu uma energia incomensurável. Seu coração se preencheu de um sentimento de imensidão. Foi tomado por um êxtase impressionante. Parecia se sentir um com todos aqueles que o cercava e todos os que o observavam pareciam fazer parte daquele sentimento.
Numa espiral no tempo presente a sensação do Pontífice era a de que algum tipo de portal havia se aberto por um instante em que ele estava tocando de alguma forma o Tempo espiritual. Passado, presente e futuro tinham de alguma forma se fundido num Agora Ilimitado. Esse toque em seu ser fez com que algo se abrisse em sua consciência e esse encontro parecia ter permitido desvelar o porquê daquilo que O Somos o do jeito do Que Somos.
Uma multidão começou a se reunir e gritavam o nome do Papa. Logo o Chefe de Segurança do Pontífice pediu para que ele voltasse para dentro do mosteiro para que não se iniciasse nenhum tipo de tumultuo com a multidão. Ele se despertou daquela sensação espiritual profunda e retornou para os aposentos onde não era visto pelo povo.

O tempo como o conhecemos é uma mera impressão.
Aqueles primeiros dias foram tomados por compromissos com diversas autoridades de seu país natal e muitas honrarias foram feitas ao Santo Padre. Os jovens numa enorme manifestação durante sua caminhada o fizeram recordar dos tempos de sua infância. Sentiu vontade profunda de rever os locais que marcaram sua memoria quando criança. Não sabia o que poderia ser feito, pois agora ele era uma pessoa pública e provavelmente não conseguiria se aproximar de nenhum lugar que não reuniria uma enorme multidão.
Foram dias de profunda emoção por todos os cantos de seu ser e ele chamou o Chefe de sua guarda pessoal para realizar algo que estava fora de sua agenda.
- Gostaria que você me acompanhasse numa aventura chefe.
- Não entendi Santidade.
- Durante minha visita a minha cidade natal que vai acontecer amanha ficarei com minha agenda livre na parte da tarde e gostaria que você me acompanhasse numa visita a casa de alguns amigos.
- Santo Padre em qualquer lugar que o senhor compareça vai haver um grande alvoroço.
- Entendo. Iremos trajados como pessoas comuns e vamos tentar ser o mais discreto possível.
- Se assim o senhor deseja, vou tomar algumas providencias para tornar essa visita o mais segura possível, Santidade. Vou precisar apenas conhecer antes os lugares que vamos visitar.
- Está certo chefe. Já passei os dados para o meu secretário pessoal, o senhor por favor converse com ele e ele lhe mostrará por onde passaremos.
Na noite antes do planejado o Pontífice recebeu como visita um dos seus companheiros de seminário que agora estava comandando. Ele era um homem profundamente culto, sempre se aplicava aos livros e austero consigo mesmo não se permitia nunca ser pelo menos o melhor. Quando o Papa o recebeu e viu aquele seu amigo se curvar para beijar suas mãos, pela primeira vez se sentiu constrangido com aquele ato em si. Preferiu abraça-lo como a um velho amigo.
Aquele era alguém em quem se podia confiar fielmente. Seu conhecimento parecia tê-lo tornado um sábio e algo fez com que o Papa mostrasse o desenho que lhe fora entregue pelo monge Miguel. E sem dúvida alguma disse o seu amigo de seminário:
- O anel de Salomão.
- Como? – perguntou o Papa completamente surpreso com aquela revelação.
- Esse desenho representa claramente o que chamamos de o anel de Salomão. – respondeu o seu amigo calmamente como se tudo aquilo fosse uma coisa simples demais e não ter entendido o porque daquela enorme surpresa pelo Pontífice.
- Meu amigo e o que você sabe mais sobre esse anel?
- Preciso pesquisar melhor, mas pelo que me lembro do anel me parece que sua utilização era para alguma forma de liderança e proteção.
O Santo Padre não se conteve, abraçou firmemente mais uma vez o amigo como se aquele fosse o ultimo abraço de sua vida. O amigo ficou novamente surpreso com tanta euforia. O Papa então expressou o que ele sempre acreditava ser o símbolo:
- E porque não amigo?  Esse símbolo não estaria relacionado a estrela de David?
- Santo Padre, veja como os dois triângulos estão entrelaçados em seus lados, os triângulos da estrela de David estão apenas sobrepostos não é o caso da figura, além do mais esse aro que envolve a estrela parece na verdade ser a face de um anel.
Parecia que uma luz tinha invadido a mente do Pontífice.
- E quanto aos nomes que estão em cada ponta da estrela? – perguntou o Papa entusiasmado com aquelas revelações.
- Bem. – respondeu o amigo agora sem respostas – nesse caso vamos ter que consultar um linguista, as palavras parecem estar em algum formato da língua hebraica.
- De qualquer forma fico imensamente feliz de estar contigo e mais ainda de você ter me ajudado a desvendar alguns mistérios que estou perseguindo nessa minha missão pessoal.
- Mas ao que se referem esses desenhos Santidade. – disse o amigo intrigado com as figuras.
- Ainda não sei amigo, faz parte de um quebra cabeça que estou tentando desvendar. Só sinto que isso vai me levar ao meu destino como líder de nossa Igreja. Mas esse é um outro assunto vamos falar de como está tudo por aqui. Quero matar as saudades que tenho destas minhas origens. – disse o Papa abrindo um enorme sorriso.
No dia seguinte, o Pontífice se vestiu como um comum. Sem os seus trajes papais, tornou-se um cidadão normal no meio da multidão. Estava acompanhado de perto como se fossem apenas dois viajantes do seu chefe da guarda. Um pouco mais de longe alguns seguranças da guarda pessoal acompanhavam os dois.
Era um final de tarde ensolarado e tinham chegado ao lugar desejado num carro comum alugado na cidade. O Papa queria andar normalmente pelos lugares que tanto conhecia, poder falar com as pessoas como um ser do próprio povo. Os seguranças tinham se desesperados com tal ideia, principalmente quando ele resolveu andar pelas ruas movimentadas e acabou parando na praça principal para olhar o movimento.
Se fosse reconhecido por alguém, aquilo iria virar uma verdadeira confusão.
O que o Santo Padre procurava era ver como estavam as pessoas vivendo no seu dia a dia. Viu que a correria tão comum entre os homens agora parecia ter tomado conta não só de suas mentes como também de seus corações. Todos andavam com olhos fixos em seus passos e apenas o que chamava a atenção na maioria das vezes eram apenas as vitrines das lojas. Mendigos eram ignorados e os que queriam falar em praças eram desconsiderados.
Talvez as famílias estivessem em situações diferentes, então resolveu visitar as famílias que tanto conhecia da época em ainda jovem fazia suas visitas paroquiais.
- Por favor, chefe me acompanhe numa outra caminhada.
O chefe da segurança se desesperava todas as vezes em que essas aventuras desprogramadas eram apresentadas.
O Papa então saiu do grande centro voltou ao carro e pediu para que o motorista os levassem para um bairro mais afastado das regiões centrais da cidade. Era um bairro considerado de classe média e quando chegou a porta da residência que ele queria visitar estacionou o carro e pediu para que todos esperassem.
Os seguranças esperaram o Pontífice sair e logo tomaram a postura de quem vigiava, o chefe da guarda desceu do carro e acompanhou o seu vigiado a distancia. Outro segurança atravessou a rua e ficou do outro lado da calçada observando tudo a distancia. O motorista se manteve atento a qualquer ordem e todos se falavam por intercomunicadores. 
Quando o Santo Padre desceu e caminhou na direção da casa de uma das famílias que mais o acolheu durante o seu ministério ele sentiu uma sensação muito estranha parecia ter ido visitar um país desconhecido. As mudanças aparentes eram nítidas, o poder aquisitivo das famílias tinha melhorado profundamente, aquela sensação de criança de uma pequena cidade onde todos se conheciam havia desaparecido. Os vizinhos pareciam todos apesar de casas muito bonitas serem completamente estranhos uns aos outros. Não se via os amigos nas calçadas sentados vendo a noite chegar e juntos rirem muito do dia que estava por se findar.
O Pontífice se aproximou da casa e tocou a campainha. Ninguém apareceu, repetiu o ato e pode ver alguém por trás da cortina observar o visitante e querendo se esconder.
- Sou eu o seminarista amigo da família. – disse de surpresa. – só que depois pensou consigo mesmo, que talvez os seus amigos provavelmente não morassem mais naquele endereço.
A sombra por trás da cortina se dirigiu para a porta de entrada que estava apenas encostada, pois um cachorro estava de vigia no quintal.
- Dona Francisca. – disse o Papa reconhecendo a senhora.
A senhora que aparentava ter idade já bem avançada fixou os olhos para o portão da casa querendo reconhecer aquele homem.
- Sou eu Dona Francisca, o seu seminarista preferido. – disse o Papa brincando com a maneira com que aquela senhora costumava se referir a ele quando ainda era apenas um jovem.
O cachorro correu em direção ao portão latindo desesperadamente.
- Meu filho! – disse a senhora. – ou melhor, Santidade.
A senhora reconheceu o homem pela voz. Correu para pegar a chave e prendeu o cachorro no corredor. Quando ficou pronta correu na direção do portão. Sem pronunciar qualquer palavra não sabia se podia abraçar o Pontífice como fazia quando ele ainda era um seminarista, então preferiu se curvar para pegar a mão do Papa para beijá-la. Aquela situação em plena rua parecia constrangedora para todos, ainda era uma situação que o Santo Padre não conseguia lidar. Esperou então ela terminar o ato e com todo carinho a abraçou como se fosse sua mãe que já não podia mais o acompanhar.
Os dois entraram para a residência, a senhora pediu mil desculpas pela simplicidade sem entender que era isso que o Papa procurava.
- Vivemos outros tempos Santidade.
- Como assim dona Francisca?
- Os filhos de meus filhos não se sentam mais à mesa. O alimento está lá, mas cada um faz seu prato e se retira para cantos diferentes. Vivem em seus quartos trancados e quando a porta está entre aberta ao nos aproximarmos estão apenas concentrados em telas.
- Entendo, o que deveria aproximar acaba distanciando os mais próximos.
- E tem mais, seus pais – os meus filhos -  trabalham vinte e quatro horas por dia a casa está linda, lotada de pertences e  nunca tiveram tanta riqueza só que ela está completamente vazia de gente que também está se esvaziando por dentro.
- Não olhar para uma dimensão maior do que aquela que apenas experimentamos em nosso dia a dia nos faz morrer pouco a pouco. Vivemos mas não nos mantemos vivos se não procuramos nos conectar com algo ainda maior que nós mesmos.
A conversa demorou por um bom tempo até que o Pontífice foi avisado pelo chefe da guarda que tocou a campainha informando que eles precisavam voltar urgentemente. A viagem chegou ao seu fim depois de alguns dias e o Papa depois de cumprir toda a sua agenda retornou ao Vaticano preparado para dar continuidade a sua missão pessoal.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Capitulo 08 - O LIVRO DOS ESCOLHIDOS


Capitulo 08
O LIVRO DOS ESCOLHIDOS

                                                                                                                            
             “Depois disso, vi quatro anjos que se conservavam em pé nos quatro cantos da terra. Eles detinham os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, sobre o mar ou sobre qualquer árvore. E vi um outro anjo que subia do lado onde nasce o sol, levando o selo do Deus vivo. Ele gritou em alta voz aos quatro anjos que tinham recebido poder para danificar a terra e o mar, dizendo: ‘Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, enquanto não marcarmos a fronte dos servos de nosso Deus.’ Então, ouvi o numero dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil marcados, de todas as tribos dos filhos de Israel.”
                                                              Apocalipse de São João                     
  


Quando parecia que o silencio havia reaparecido, o Santo Padre pegou um saquinho de pano que trazia por trás de sua túnica e retirou um anel que o Chefe da Guarda desconhecia e o colocou num centro de um sol e pareceu destravar alguma coisa. Repetiu então o mesmo gesto do outro lado com o Anel do Pescador que se encontra no seu dedo da mão direita. Ouviu então outro destravamento.
- Vamos agora empurrar. – disse o Papa indicando como se fazia para abrir aquilo que não se imaginava ser uma porta.
- Para onde estamos indo Sumo Pontífice? – cochichou o chefe da guarda.
- Vamos pegar o Grande Sétimo.
- O que é esse Grande Sétimo, Santidade?
- É o que o filho do mal está tentando localizar invadindo o Vaticano.  



O jovem monge Miguel já estava ha meses vasculhando os arquivos em busca de decifrar a estrela solar, como ele mesmo começou a se referir. Ele estava trabalhando principalmente em tudo aquilo que não estava catalogado o que era a maior parte dos arquivos. Apesar de já a dez anos trabalhar como bibliotecário e se dedicar a digitalização das obras, tinha um dom raro de desenhar então normalmente se preocupava com a maioria dos livros figurativos.
Não era um trabalho nada fácil procurar algo naquele labirinto de papel e também moedas. Milhares e milhares de obras estavam armazenadas e boa parte delas era desconhecida da própria história. Só a intuição ou algo superior para encontrar um símbolo dentro de um universo quase infinito de informações.
“Algo muito importante poderia ser abandonado facilmente no meio de tudo aquilo e dificilmente seria encontrado, ou talvez colocado em outro lugar reservado onde também não pudesse ser descoberto.” – pensou o monge bibliotecário pegando uma das obras e folheando lentamente.
- Estou trabalhando nas grandes obras humanas na Biblioteca do Vaticano, um sonho que tenho desde criança e agora recebo uma grande missão e não sei se quer por onde começar. – falou agora baixinho para si mesmo. – que tal começar pelo início! Vaticanus, a colina das profecias. Conhecimento do futuro, talvez nos livros proféticos. Vou começar por eles. – concluiu dizendo baixinho.
Não havia dias da semana nem horas do dia para a sua busca, mas uma coisa sempre o acompanhava. Algo ou alguém a todo instante estava a observar o monge. Sempre tinha essa sensação e quando olhava repentinamente podia observar uma sombra. Mesmo na era da tecnologia, naquele lugar os olhos humanos ainda eram a melhor forma de vigiar.
Os símbolos são instrumentos de manifestação mais profunda do inconsciente não só individual como também coletivo. Cada letra, cada palavra, cada nota é uma forma simbólica de representação e o que ele buscava podia ser encontrado num simples rodapé. Daí uma busca sem fim. 
Naquele dia, estava sentindo dor em suas costas de tanto ficar debruçado sobre a mesa, sentiu um sono repentino, procurou então caminhar um pouco pelos aparentes quilômetros de corredores da biblioteca. Pegou o livro que estava folheando colocou no lugar e saiu sem rumo. Sem perceber ficou minutos vagando e sem direção andou em círculos e voltou ao mesmo lugar onde estava anteriormente, olhou para o livro que estava folheando e ele não estava colocado no lugar da forma com que tinha deixado. Não era só uma impressão, ele realmente estava sendo monitorado. Para disfarçar começou a andar novamente sem rumo.
E foi andando sem rumo que parecendo chegar ao lugar que provavelmente nunca procuraria nenhum tipo de informação. Milhares de livros que retornaram ao Vaticano vindos de Paris provenientes da retirada feita por Napoleão Bonaparte, quando da invasão da Itália. Eles ainda se encontravam como se estivessem chegado ontem de sua viagem de ida e volta.
“Será que aquele homem procurava apenas riquezas ou quem sabe algum tipo de conhecimento que o conduziria para definitivamente dominar o mundo de sua época?” – pensou o monge em pleno silencio.
Tudo aquilo era assustador. Pegar naquelas obras era como tocar um pouco do pó com o tempo gravado em cada partícula. O monge tinha decidido procurar livros proféticos, só que não existiam ali nenhum tipo de ordem além de um livro atrás do outro em numerosas prateleiras. Todos acinzentados. Pareciam blocos prensados das cinzas de uma enorme fogueira. Ao pegar um dos livros em suas mãos o monge Miguel pode sentir o trauma causado a cada um deles. Viveu em sua memória os soldados de Napoleão carregando cada joia rara como se estivessem carregando pedras para se construir uma prisão. E os livros mesmos depois de libertos traziam consigo a dor de terem sido invadidos em suas páginas por mãos que buscavam apenas o conhecimento do poder obscuro.
Os que se utilizam dos olhos do coração conseguem ver e enxergar além.
Foram infindos dias de procura e o que o monge encontrou foi o descredito na natureza humana, muito do que se encontra nos livros de história são contos e não relatos da verdade.
A verdade parecia estar oculta como o Espírito parece estar oculto neste mundo. Então um livro, o título “Os Escolhidos”. Sua capa não parecia ser a original. Muito das páginas tinham sido arrancadas. O monge folheava lentamente tentando saber o que havia sido retirado. No que havia restado, entendia-se que uma espécie de hierarquia do sistema brilhante tinha sido designada para comandar um planeta que parecia estar em outro sistema ou dimensão, o que se relatava era uma outra esfera.
Folha a folha, tinta a tinta, até que uma das páginas estava completamente colocada uma na outra e nela um círculo como um anel, no seu centro a estrela brilhante com suas seis pontas e no meio dela um sol. Em cada ponta um par de nomes totalizando doze. Na mesma página ao seu lado o mesmo anel em cópia perfeita.
O monge virou a página para ver o que estava no verso colado e viu o mesmo anel com a mesma estrela só que nas pontas os nomes não estavam em pares, eram individuais. Seis nomes estavam de um lado e os outros seis nomes estavam na outra ponta da estrela. Voltou para olhar a página anterior e reparou que os nomes inscritos eram os mesmos no primeiro desenho. Os nomes estavam em pares e se repetiam em frente e verso que parecia o que estava representando os dois desenhos um ao lado do outro enquanto que na segunda página os mesmos nomes estavam metade na frente do desenho e a outra metade em nomes individuais estavam no outro desenho ao lado.
- Doze era um número místico que tinha uma grande representação; eram doze os filhos de Jacó que, dos quais se originaram as doze tribos de Israel; o muro de Jerusalém tinha doze portas; o número dos discípulos de Jesus foram doze; a Arvore da Vida, na Nova Jerusalém, produzirá doze frutos. E doze vezes doze é o número daqueles que serão marcados para o Novo Tempo. – disse o monge Miguel silenciosamente para si mesmo.
Começou então a pensar como retiraria todas essas informações daquele livro, saiu então do estase de suas pesquisas e se recordou que podia estar sendo observado. Pegou o livro nas mãos e ameaçou caminhar, não ouviu nenhum barulho. Se arrancasse as páginas poderia ser rastreado de alguma forma, pensou então em copiar os desenhos e assim que devolvesse o livro naquela completa desordem dificilmente seria localizado. Trazia sempre consigo um lápis e papel no bolso de suas vestes, copiou os detalhes mais difíceis de serem lembrados, depois completaria o desenho com suas lembranças.
Monge Miguel passou o resto da noite completando o desenho em seus aposentos, não largou mais até que resolveu procurar o Papa sem nenhum tipo de anuncio para não despertar a atenção de ninguém. No outro dia lá estava o monge discretamente tentando se aproximar do Pontífice que se encontrava atarefado e mergulhado em audiências.
O Santo Padre em um dos seus momentos de distração reparou o monge discretamente tentando se aproximar daqueles que o cercava. Balançou então a cabeça na direção do monge como que consentindo que ele se aproximasse.
- Alguma novidade filho? – sussurrou o Pontífice ao jovem monge e deixando todos surpreendidos com aquela aproximação.
- Santidade, o senhor teria um tempinho para conversarmos? – respondeu o jovem acanhado e em sussurros diante de tantas autoridades.
O Papa pediu licença para todos referindo-se aquela situação como urgentíssima.
- Em que posso ajuda-lo filho?
-Santidade, tenho encontrado referencias em várias obras sobre o símbolo que procuramos, principalmente naquelas que Napoleão tinha levado para a França, quando da sua invasão do Vaticano.
- E a que se refere esse símbolo?
- Ainda não sei dizer Santidade. Mas concebi a ideia de que ele esta relacionado a um circulo, uma espiral e até mesmo a um anel.
 - Um anel. – repetiu o Papa tentando se recordar de algo que pudesse desvendar o mistério.
- Vossa Santidade tem alguma ideia do que pode ser um anel?
- Não filho, mas sei onde posso procura-lo. Quero que você continue suas pesquisas.
- Santidade, preciso que o senhor me autorize a fazer buscas dentro dos arquivos secretos da Biblioteca.
- Achei que já tinha permitido isso. Vou ratificar com os seus superiores essa autorização. Você ganhará poderes para acessar qualquer informação e se isso não acontecer volte a falar comigo.
- Obrigado Santidade.
- Sou eu quem lhe agradeço filho.
O monge retirou-se assim como tinha chegado e antes entregou uma cópia do desenho que tinha feito do livro encontrado.
 O Papa voltou para as suas intermináveis reuniões. Foi nesse trajeto curto que ele ouviu um comentário rápido que não saiu do universo de suas ideias:
- Precisamos reafirmar nossa fé para o mundo. – disse um dos Arcebispos.
O Pontífice quase respondeu dizendo que realmente era aquilo que ele deveria fazer, pois preocupado demais com os as forças que dominavam os bastidores do Vaticano não conseguia olhar para o mundo católico que o cercava.
“Era com certeza isso que estava dizendo a sua visão que havia tido nos jardins. A gruta provavelmente seria o próprio Vaticano e sua luz para o mundo enquanto que as tochas apagadas eram a ausência de fé de seu povo diante de tantas dificuldades. Era preciso reacender essa energia. Buscar escolher pessoas de fora daquele lugar que já se encontravam dominadas pelas forças involutivas” – pensou consigo mesmo o Papa.
Há instantes que o coração se abre para nossa verdadeira missão.
O Santíssimo Padre convocou seus assessores e lhes disse que queria visitar sua terra natal. Ele acreditava que lá poderia estar entre os seus e assim escolher pessoas de mais confiança para auxiliá-lo. Antes, porém de tudo estar confirmado tinha um tempo necessário para procurar o símbolo entre as diversas relíquias que se encontravam no Vaticano.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capitulo 07 - A ROSEIRA DA ROSA AMARELA



Capitulo 07
A ROSEIRA DA ROSA AMARELA

                                                                                                                            
            "A faca cortará a terra como o camponês corta o pão.
            O pão será partido em dois com a faca cujo cabo foi recortado da roseira da rosa amarela. 
            Pedro foi fechado em um covil.
            De guarda fica o velho lobo.
            E assim será até que as estrelas se rebelarão contra o homem."           
                                                                   Aranha Negra                      
  


O Papa entrou pelos corredores das catacumbas do Vaticano como se fossem os caminhos do quintal de sua casa nos tempos em que ainda era criança. O Chefe da Guarda o acompanhava surpreso com a vitalidade que ainda tinha aquele homem já de idade bem avançada. Ao chegar diante do mural de entrada da Sala Sagrada perguntou ao Papa:
- Para onde iremos agora, Santidade?
O Santo Padre colocou o dedo indicador sobre os lábios pedindo silencio ao Chefe da Guarda. Os dois ficaram em silencio e parecia que um grande barulho vinha de cima das catacumbas, deduziram que provavelmente a Catedral de São Pedro podia estar sendo invadida.  


O Prefeito da Biblioteca do Vaticano enviou um dos seus auxiliares para servir ao Papa como desenhista, algo que ninguém havia ainda entendido. Era um jovem monge que tinha uma caligrafia excepcional, chegava a ser capaz de copilar livros antigos que possuíam desenhos em aquarelas extraordinárias. Era conhecido por seus amigos do Vaticano como “Michelangelo”.
- Qual é o vosso nome filho? – perguntou o Papa ao jovem monge.
- Meu nome é irmão Miguel, Vossa Santidade.
- Me acompanhe filho.
O Papa saiu de seu escritório e caminhou pelos corredores que levavam para fora do palácio. Os dois se distanciaram um pouco dos seguranças que os acompanhavam a pedido do próprio Pontífice. Ele queria estar a só com o jovem monge. Procurou então caminhar pelos jardins do Vaticano. Ali não existiam paredes que pudessem escutar as suas conversas.
- Filho, tenho tido um sonho frequente com um símbolo. Gostaria de descrevê-lo e saber se você o conhece, ou se já viu em seus estudos pela biblioteca e se não o viu ainda gostaria que sigilosamente o procurasse entre os arquivos.
O monge estava ainda completamente acanhado diante daquela figura extraordinária a quem tinha um respeito enorme, não apenas pelo cargo que exercia, mas pelo carisma e alegria com que o líder de sua Igreja transmitia, então disse em voz baixa.
- Vossa Santidade poderia dizer como seria esse símbolo?
Então o Papa descreveu detalhadamente o sol que tinha visto não só em seu sonho como também nos símbolos que se encontravam em suas lembranças.
- Filho, você consegue compreender esse símbolo?
- Sim, Santidade, só não consegui entender exatamente o que estava em seu centro.
Os dois caminhavam pelos corredores do jardim do palácio e o Papa foi feliz ao ver uma rosa da roseira amarela. Através dela conseguiu descrever o centro de seu símbolo.
- Filho você está vendo essa linda rosa amarela? O centro do sol que vejo é tão brilhante quanto a luz que irradia dessa flor.
O jovem monge ficou observando estático a beleza da flor e então respondeu:
- Santidade, gosto muito dos símbolos que tenho encontrado pelos arquivos que venho estudando e o sol é um símbolo frequente. Encontramos em quase todos os murais e vitrais o sol como símbolo. Em livros então é muito frequente. Tenho visto representações de sóis e estrelas com uma quantidade infinita de pontas e raios. O que parece ser diferente é o centro que o senhor descreve, algo parecido como uma rosa não é muito comum. Ainda não tinha reparado no centro de uma flor, ela realmente parece uma espiral. Prometo procurar nos arquivos da biblioteca algo parecido com isso.
- Irmão Miguel, preciso contar com vossa discrição nesse vosso trabalho e considere tudo isso como algo sigiloso. Ninguém, nem mesmo o Prefeito da Biblioteca precisa saber o que estamos procurando, já disse à ele que todos os arquivos devem estar a sua disposição e que a vossa pesquisa deve ser reportada apenas para mim.
- Claro Santidade.
- Posso realmente contar com vossa lealdade filho?
- Vossa Santidade pode ficar tranquila. Farei uma pesquisa minuciosa.
Os dois homens continuaram a caminhar pelos jardins e a conversar sobre a vida do jovem e sua vocação.
- Filho agora você está liberado para o seu trabalho. – então o Papa chamou os seus seguranças que liberaram o jovem para se retirar do jardim.
O líder do Trono de Pedro continuou sua caminhada pelas alamedas do jardim em busca de silencio e com ele conquistar momentos de oração e meditação. Apesar de estar no governo de sua Igreja por apenas alguns meses sentia o peso de sua jornada. O que mais lhe incomodava era o completo isolamento que trazia aquela liderança. Sentia-se de alguma forma completamente sozinho, sem poder confiar nem mesmo em seus amigos.
O tom verde de vários matizes gerado pela flora exuberante do lugar, de plantas trazidas dos vários cantos do mundo tinha arremessado sua consciência de alguma maneira para um estado mais ampliado. Sentiu todo o peso da jornada ser divido com uma força maior do que ele e disse em voz alta a si mesmo:
- Bendito seja O Senhor nosso Deus!
Quando o Pontífice percebeu, estava diante da grande fonte do jardim. O barulho da água fez com que sua atenção retornasse ao estado presente.
Quanto presente conseguimos nos manter diante de nós mesmos?
Resolveu então não terminar sua caminhada. Precisava andar pelos jardins e se sentir de alguma forma livre. Sua administração estava completamente travada. Suas ordens esbarravam na burocracia. Estava completamente enclausurado em seu trono e o pior, sentia-se num covil.
Seguiu sua caminhada e alcançou o coração espiritual dos jardins, a Gruta de Lourdes. Lá uma réplica exata da estátua de Nossa Senhora que está em Massabielle, França, ocupa o lugar central. Emoldurada com um manto verde brilhante de hera ela atinge um grande esplendor. Sua Santidade diante daquela beleza teve uma visão pessoal.
“Viu uma enorme procissão subindo todas as vielas dos jardins na direção da luz que provinha da gruta. Era noite e todos traziam tochas apagadas empunhadas em suas mãos e mesmo na escuridão entoavam cânticos e súplicas por perdão.”
Seus pensamentos corriam querendo entender a visão do que via. O que poderia ser aquilo, talvez o povo cristão em busca de um caminho de luz. Luz do Espírito a qual o próprio Papa buscava naqueles instantes de seu pontificado.
 A visão continuou apesar dos pensamentos gerados pelo Pontífice:
“A luz que emana da gruta se intensificou de tal maneira que parecia a luz de uma grande estrela e quatro seres com muito esforço conseguiram encostar suas tochas na luz e elas acenderam. Então eles começaram a caminhar no meio dos corredores escurecidos pela noite e depois de se posicionarem em lugares estratégicos começaram a acender todas as outras tochas. Os corredores começaram a se acender como se vulcões estivessem derramando lavas pelos caminhos. O que era noite parecia ter se iluminado.”
Mais uma vez o Papa voltou sua atenção para o momento presente, só que agora parecia que uma nova luz tinha clareado sua consciência.