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terça-feira, 5 de março de 2013

Capítulo 19 - O PIEDOSO


Capitulo 19
O Piedoso
                                                                                                                            

              

O dia do Senhor virá como um ladrão. Os céus acabarão com grande estrondo, os elementos em chamas de dissolverão, e a terra será conhecida em suas obras. Pois, se tudo vai desintegrar-se desta maneira, não deveis perseverar em vossa santa conduta e em vossa piedade, esperando ansiosamente a chegada do dia de Deus, quando os céus em fogo se dissolverem e os elementos em chamas derreterem?
                                                           São Pedro, Apóstolo.



Naquele mesmo instante o semblante do chefe da guarda brilhou. O fascínio do dourado da pedra não brilhava apenas os rostos e sim toda a sala mostrando uma luz resplandecente. O Santo Padre então aguardou acontecer o que já conhecia. O centro da sala sem a pedra de mármore que na verdade era uma espécie de tampa, se ergueria automaticamente e a relíquia se apresentaria como se estivesse desabrochando.
A pedra tinha o tamanho de um ovo de avestruz, lapidada de forma hexagonal se encaixava numa espécie de casa e quando o Papa a retirou o Chefe da Guarda percebeu que ela possuía três faixas desenhadas em formato de xis que transpassavam dos dois lados da joia.
Mais uma vez o Pontífice surpreendeu e retirou de seu habituario um saco de feltro e envolveu o que ele denominava de o “Grande Sétimo”.


Os países estavam entrando em período de profundo conflito. Tempos críticos se alastravam por todos os cantos do mundo. A riqueza superficial estava sendo corroída em sua essência corrompida. A busca de se unir o globo num grande mercado foi esvaziada pelos embates do próprio sistema. Homens ensandecidos começaram a tomar o poder de suas nações e as terras pareciam querer implodir. A natureza parecia acompanhar o humor humano e vivia tempos escabrosos. Tempestades, furacões, terremotos, estiagens tornaram-se eventos corriqueiros. O Santo Padre diante dessas tantas dificuldades estava sendo chamado a todo instante para acalmar os conflitos e principalmente apascentar os seus fiéis espalhados pela superfície da Terra.
Foram nesses dias que o Sumo Pontífice enfrentou uma grande perda para o seu Pontificado, o velho bispo aquele que tanto o aconselhou e que depois ficou sabendo ser o responsável direto por sua eleição como Papa estava no leito de morte à espera da benção dele. O Papa então mesmo na tribulação conseguiu uma maneira de ir ao encontro daquele que se tornara um de seus confidentes espirituais.
O que é a morte se não um recomeço diante da verdadeira Vida?
A dificuldade de locomoção para o Papa era uma das coisas que mais o incomodava. Recordava-se de quando podia sair discretamente em visita a seus amigos e parentes em qualquer lugar. Isso porque para uma visita a um amigo que estava num leito do hospital precisava-se de um aparato digno de uma visita oficial de Estado.
Ao ver aquele homem coberto por um lençol branco deitado como se nunca mais pudesse se levantar, com o rosto em flagelos como em uma pintura abstrata e respirando apenas o ar distante de sua existência humana o Santo Padre encheu-se de misericórdia por todos os seres existentes. Aproximou-se lentamente e pegando nas mãos do Bispo inundou seus olhos de lágrimas e seu coração de compaixão.
O bispo percebeu a presença daquele homem que sempre mantinha-se em tranquilidade ao redor de todos  e procurou devolver seus olhos que já estavam em outro mundo a este. Apertando as mãos do Santo Padre como quando se segura um inestimável pertence o velho homem sussurrou algo incompreensível.
O Santo Padre sempre generoso percebendo a dificuldade de seu Bispo baixou a sua cabeça e pôs seus ouvidos próximos da boca do enfermo para que ele repetisse aquele murmúrio.
- Me perdoe Santidade. – suplicou o velho Bispo com todos os esforços possíveis.
O Papa então imaginando que seu conselheiro estivesse pedindo uma unção para sua passagem nesta vida e assim ergueu sua mão direita e abençoou o enfermo o liberando de todos os seus pecados. Surpreendentemente o Bispo novamente sussurrou outras palavras e o Santo Padre novamente aproximou seu rosto do velho homem.
- Pequei contra Vossa Santidade. – sussurrou o Bispo já tentando erguer sua cabeça para ser melhor compreendido.
- Vossos pescados estão perdoados meu velho amigo. – respondeu o Papa levando seus lábios aos ouvidos do Bispo.
- Tu és realmente o Piedoso, sua bondade o fez sentar-se ao Trono de Pedro. – começou a falar lentamente o Bispo nos ouvidos do Papa
O Santo Sacerdote lembrou-se então das palavras de São Pedro em sua Epístola, Capítulo 03, 10-13 e as pronunciou ao Bispo:
“O dia do Senhor virá como um ladrão. Os céus acabarão com grande estrondo, os elementos em chamas se dissolverão, e a terra será conhecida em suas obras. Pois, se tudo vai desintegrar-se desta maneira, não deveis perseverar em vossa santa conduta e em vossa piedade...?”
Perdoe-me de todo o vosso coração porque o traí. – disse o Bispo tentando virar o rosto e olhar aos olhos do Papa que agora sim procurou entender o que seu conselheiro estava querendo lhe dizer.
- Eles queriam manipular o vosso Pontificado e de certa forma eu os ajudei. Acreditávamos que porque estava sempre sorrindo seria um fraco diante das primeiras dificuldades que enfrentasse e assim tomariam o poder da igreja facilmente estando em vossas mãos.
- Quem são eles, conselheiro? – perguntou o Papa agora olhando diretamente ao rosto do Bispo.
- Por favor, Santidade – sussurrou o bispo como se fossem as suas últimas palavras – perdoe-me por ter traído a vossa confiança. –
- Que Deus perdoe os vossos pecados meu amigo e conselheiro. – anunciou o Papa olhando para os olhos do bispo marejados de lágrimas que correram por seu rosto, que sentindo a mão daquele homem apertar a sua como num grande abraço.
Foram as últimas palavras de seu conselheiro, aqueles olhos safirizados tinham encerrado sua visão deste mundo. O Papa sabia que podia confiar em poucas pessoas, só que aquele seu companheiro de quem pediu tantos conselhos e a quem confidenciou muitas de suas dúvidas era um dos poucos em que ele acreditava poder confiar.
O chefe da guarda que estava na porta do quarto correu para chamar as enfermeiras que estavam no corredor de plantão. Realmente já era tarde. O bispo tinha se retirado de nosso mundo físico em busca do perdão a si mesmo pela eternidade.
Quanto ao Sumo Pontífice parecia ter tomado um golpe em suas próprias costas e o pior de tudo sairia daquele hospital sem respostas sobre quem seriam seus verdadeiros opositores. Com esses anos de pontificado já podia apontar para alguns daqueles que estariam tentando de alguma forma manipulá-lo. Entendia que as duas correntes, os Spiritualis e os Iluminatis estavam se degladiando e cedo ou tarde iriam expor suas feridas O que realmente o preocupava era que provavelmente algum tipo de força externa ao Vaticano pudesse estar comandando alguma das duas correntes.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Capitulo 15 - CADEIRA DE PEDRO


Capitulo 15
CADEIRA DE PEDRO
                                                                                                                            
            



“...mas a barca de Pedro não terá paz. Anátema para quem não acompanhou o pai.
Na cadeira de Pedro sentarão, ao mesmo tempo, o Justo e o Bisão. Ambos terão o dom de falar ao povo.”
                                                                        Aranha Negra.           
  


O chefe da guarda atendeu ao pedido do Santo Padre, voltou-se e encostou a porta com receio de que depois não conseguiriam mais abri-la. Fez tudo isso rapidamente não querendo perde os passos que o Papa tomava na direção do centro da pequena sala. Quando pareceu ter ouvido um barulho que vinha de fora da sala por trás de algum daqueles labirintos de tuneis.
- Chefe tranque a porta.
O homem então correu para não apenas encostar e sim puxar a porta pelo lado de dentro da sala e ela acabou realmente de alguma forma se fechando. Assim, o Pontífice se sentiu mais seguro e quando chegou ao centro da sala colocou suas mãos na altura do peito e desabotoando alguns dos botões retirou um bolso que estava por dentro de suas vestes perto da altura de seu coração.






As férias papais duraram ainda algumas semanas até que foram interrompidas por mais um dos escândalos que vinham envolvendo os bastidores do Vaticano. O Santo Padre também estava querendo retornar a Santa Sé para dar continuidade as buscas dos seus mistérios, agora com o que parecia ser um mapa em suas mãos.
Ao retornar ao Vaticano o Santo Padre resolveu definitivamente tomar medidas mais drásticas para enfrentar o mar de discórdia em que se encontrava “A Barca de Pedro”. Sentindo-se disposto e cheio de uma energia renovada em atos que para muitos parecia ser loucura começou a refazer toda a administração do seu Estado. Primeiro afastou o secretário geral e trouxe para essa função seu amigo de seminário para ocupar o cargo. Afastou o seu mordomo e escolheu estar contigo também um padre da confiança de seu novo secretário Rafael. Trouxe também o monge Miguel para acompanha-lo diariamente em sua busca dos enigmas. Em pontos estratégicos como nas prefeituras colocou pessoas de sua confiança e assim tentou isolar principalmente aquele Arcebispo que pelos corredores era considerado o antipapa.
Toda ação tem sua reação e logo o Santo Padre começou a sofrer retaliações indiretas por aqueles que foram afastados e mais desordem parecia estar em movimento. Pensou até em convocar um Concílio para mudar completamente os rumos de sua Igreja. Tinha consciência que o povo estava se afastado da ordem religiosa por que as lideranças eclesiais tinham se encastelado em suas sedes.
A Igreja estava completamente dividida em duas forças que pareciam uma caminhar à esquerda e outra à direita do Santo Padre. As reformas feitas pelo Bispo de Roma desagradariam os dois lados, Iluminatis e Spiritualis acirravam a disputa ainda mais pelo governo temporal do Vaticano. Foram nesses dias que o bispo vermelho que o procurara logo no inicio de seu Pontificado intitulando-se o antipapa sem mais nem menos faleceria. E o que se dizia que uma nova eleição ocorreria bastidores para que esse cargo fictício fosse ocupado. E mesmo com suas transformações administrativas a Santa Sé estava se afundando em crises que só acompanhavam as crises políticas mundiais.
Há dias em que o bem estar
Num desses tempos difíceis o Santo Padre se recordou das conversas que havia tido com monge Miguel e quis conhecer a necrópole e as catacumbas do Vaticano. Chamou seu novo secretário agora Cardeal nomeado e amigo de seminário e disse que com ele gostaria de visitar as profundezas do Vaticano. Seu amigo sabia mais ou menos o que estavam procurando e disse que era uma honra poder acompanhar o Santo Padre naqueles mundos mais escondidos, diria ele.
Conseguiram deixar uma das tardes da agenda do Papa sem audiências. Dirigiram-se então para a Basílica de São Pedro e dai para a entrada que os levaria primeiro para as criptas onde se encontravam vários Papas enterrados. Nesse local visitaram os últimos líderes da Igreja aos quais o Santo Padre havia sucedido. Logo depois foram à visita do tumulo de São Pedro. Ali ficaram bastante tempo contemplando os mistérios que envolviam todos aqueles homens que tinham conduzido a Igreja até aqueles dias.
O secretario geral entendia que por ali dificilmente encontrariam algo, pois eram locais de visitação pública conhecidos perfeitamente por todos, então acompanhados do monsenhor responsável pelas instalações foram conduzidos para os locais onde eram fechados ao publico. Eram catacumbas viradas e reviradas por arqueólogos durante grandes períodos e provavelmente também não esconderiam nada que alguém já não tivesse colocado os olhos. Só que o Santo Padre sabia de certa forma o que estavam procurando, algo que retratasse os símbolos que vinham perseguindo pelas trilhas de sua jornada.
O monsenhor experiente em acompanhar os arqueólogos também resolveu levar com ele o maior de todos os pesquisadores para acompanhar aquela visita e assim mostrar ao Papa os lugares que recentemente haviam sido escavados graças a novas tecnologias desenvolvidas para aquele tipo de trabalho. Ficaram surpresos com tanto corredores de catacumbas sob os prédios do Vaticano.
Antes que os dois homens, o Papa e o seu novo secretário geral acompanhassem aquela procura, ficou acertado entre os dois que enquanto o Santo Pontífice provavelmente seria acompanhado por arqueólogos, o secretario percorreria os cantos em que provavelmente os dois juntos não conseguiriam visitar e assim o fizeram. Enquanto o monsenhor e o cientista iam apresentando as novas descobertas o novo secretário ia entrando por outros lugares e foi numa dessas escapadas que ele encontrou algo que provavelmente interessaria aos mistérios que estavam tentando serem desvendados. Então como previamente acordado assim que viu algo que interessaria deu um sinal ao Santo Padre que percebendo o que estava acontecendo deixou ser conduzido por seu secretário.
Em um dos corredores já aparentemente bem percorrido havia duas colunas com a figura de dois anjos dois anjos que aparentemente vigiavam ou protegiam uma lápide. O que chamou a atenção do secretário é que cada um dos anjos com as mãos estendidas seguravam uma esfera que tinha no centro o símbolo da estrela de seis pontas. Os dois seres estavam posicionados de perfil onde se podiam ver as suas asas e se encontravam de frente para o que parecia ser um portal e cada um possuía na mão esquerda uma espada e na direita a esfera com a estrela de seis pontas como era representado no anel de Salomão encontrado pelo Papa em Castel Gandolfo.
Inteligentemente o Santo Padre vendo aquelas duas figuras perguntou ao arqueólogo:
- De que maneira vocês estão pesquisando esses corredores com essas novas tecnologias meu amigo cientista?
- Santo Padre, hoje a arqueologia utiliza-se desde imagens de satélite até uma pequena espátula para fazer as suas descobertas. Em escavações como esta podemos usar radares, mapeamento a laser, além de buscas químicas, físicas e biológicas.
- Se existir uma abertura numa dessas paredes então podemos descobrir sem derrubá-la? – disse o secretário ao arqueólogo.
- Sem dúvidas, e se a abertura for muito estreita, robôs podem vasculhar e nos enviar imagens de tudo que está por trás do que procuramos.
- E o que estamos procurando aqui meu jovem? – disse o Papa.
A pergunta deixou todos surpresos. O cientista olhou para o monsenhor sem entender o que o Papa estava querendo dizer.
- Santidade, estamos procurando relíquias, escritos e outras tantas coisas deixadas pelos primeiros cristãos. – disse o monsenhor.
- Vocês já estão utilizando essas tecnologias modernas nessa parte descoberta recentemente? – perguntou o secretário.
- Estamos utilizando por enquanto apenas para abrir novos corredores. Em muitos lugares aparentemente eram apenas túmulos então deixamos eles momentaneamente de lado e vamos em busca de novos corredores para apenas depois nos dedicarmos a essas câmeras.
- É o caso dessas imagens a nossa frente? – perguntou o Papa.
- Santidade esse espaço entre os dois anjos ainda vamos estudar. Não parece uma cripta, nem um corredor, tem apenas a aparência de mural é bem diferente de tudo que temos encontrado até agora. Se o senhor desejar podemos fazer uma pesquisa minuciosa.
- Ao contrário meu amigo cientista gostaria que não o tocasse e que o preservasse pelo menos por enquanto de qualquer tipo de escavação, pode ser assim?
- Sem dúvida, Santo Padre. – falou o monsenhor responsável pelas escavações.
Os quatros homens continuaram sua caminha pelos corredores históricos que parecia fazer parte de todas as fundações do Vaticano. Algo inacreditável de ser compreendido apenas com a força de suas mentes e apesar de estarem na verdade em um cemitério podia-se encontrar beleza naquelas buscas.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

2ª Parte, O Pontificado - Capitulo 05 - O SONHO



2ª PARTE



O PONTIFICADO
                            






CAPITULO 05

O SONHO

                                                                                                                            
             “Quando chegar o grande sétimo,
            Aparecerão nesse tempo os jogos da Hecatombe;
             Próximo à idade do grande milênio,
             Quando os mortos sairão de suas tumbas.”
                                                                   Nostradamus.                                  
  

O Papa deu sinais de que voltaria a realidade que o cercava então disse ao Chefe da Guarda:
- Precisamos levar conosco o Grande Sétimo.
O Guarda ficou surpreso e nada entendeu ao que se referia o Papa e essa dúvida levou novamente o Pontífice a se recordar do seu primeiro contato com as revelações do Vaticano.



Nos primeiros dias em que o Papa assumiu suas atividades foi tomado por uma avalanche de informações, no entanto, a que mais lhe surpreendeu não estava neste universo e sim num sonho.
Sonhou que estava num templo diferente de todas as Igrejas que podia se lembrar. As paredes eram translúcidas ao ponto de não se saber se estava dentro de um prédio ou ao ar livre. No início do sonho ele podia ver todas as coisas como se fosse um expectador de tudo aquilo. Quando ouviu uma voz se dirigir a ele sua perspectiva mudou e passou então a estar presente num evento que ele, a principio, desconhecia.
- Você está sendo enviado com a proteção da luz do sol do Grande Sétimo. – disse a voz.
Quando levantou a cabeça numa espécie de cerimônia, estava sobre ele o símbolo de um sol de seis pontas em espiral em forma de cruz no centro. Aquilo brilhava como um âmbar refletido. Sentiu uma energia profunda tomar conta de todo o seu ser uma espécie de êxtase espiritual invadindo sua consciência.
O Pontífice então acordou com a imagem daquele evento e lembrou-se claramente que aquele era o mesmo símbolo que trazia o pingente que tinha visto com o monge. Era ainda de madrugada. Não conseguiu mais dormir. A imagem da visão do sonho ficou impressa em sua mente e lembrou-se que aquilo era o mesmo símbolo usado pelos spiritualis. Saiu então para orar na pequena capela particular pedindo a Deus que iluminasse esses seus mistérios.
Após o café da manhã chamou o seu Secretario particular. Ele gostaria de visitar os arquivos da biblioteca do Vaticano em busca de respostas aos seus enigmas, quis saber como estava a sua agenda para aquele dia. Descobriu que apenas a sua tarde estava vazia. Mesmo assim pediu para que o Prefeito da Biblioteca Vaticana pudesse encontra-lo ainda pela manhã.
Na primeira hora vaga que pode falou com o Prefeito:
- Meu amigo. – disse o Papa.
- Vossa Santidade. – respondeu o Prefeito.
Os dois se conheciam bem, pois o Pontífice sempre teve enorme curiosidade sobre o imenso acervo da Biblioteca e com isso, sempre mantinha contato com o atual Prefeito que sempre pareceu ser de sua confiança.
- Vou precisar muito de sua ajuda. Gostaria que Vossa Excelência pesquisasse alguns símbolos e esclarecesse algumas dúvidas que trago comigo.
- Fico à vossa disposição. – respondeu prontamente o Prefeito.
Então combinaram alguns dias da próxima semana para se encontrarem na biblioteca.
Ainda nos seus primeiros dias de papado, o Pontífice sentiu necessidade de compartilhar o sonho que havia tido com o Arcebispo mais velho, que agora se tornara o seu braço direito. O Pontífice estava cercado de informações e novidades que nunca podia imaginar existir. Precisava então se cercar de pessoas em quem pudesse confiar, pois parecia que a todo instante as paredes do Palácio do Vaticano estavam sendo vigiadas. Tudo parecia ser mais complicado do que imaginava ser.
O Pontífice e o Arcebispo se reuniram à portas fechadas e antes de contar o seu sonho o Papa fez um desabafo ao seu amigo:
- Irmão, poderia realmente me dizer o que está acontecendo por trás de tudo isso?
O Arcebispo sorriu e respondeu como que sussurrando:
- Estava esperando por essa nossa conversa Santidade!
- Estamos entre amigos. Vamos deixar as formalidades de lado, sabe o quanto confio em você, no entanto preciso realmente saber o que está acontecendo nos bastidores de nossa Igreja. Sempre estive apenas ao redor de tudo isso, distante das decisões mais importantes, enquanto que a sua vida esteve sempre ligada a tudo que está acontecendo entre essas paredes. Conheço as diversas expressões de fé, embora me pareça que algo mais profundo esteja acontecendo.
- A sua escolha para ocupar o Trono de Pedro não ocorreu por acaso. Tudo isso foi resultado de uma longa luta entre as forças que vem governando este Estado.
- Quem são essas forças?
- Santidade, o cardinalato está divido basicamente em três. Duas partes são as grandes forças que se degladiam e uma terceira parte, são de Arcebispos que estão isolados dessa luta pelo poder.
- É nessa terceira parte que eu estava incluído não é mesmo? Por isso fui eleito apenas após vários escrutíneos. – disse o Papa assustado com tudo aquilo e continuou – e o que são essas outras duas partes e mais, o que desejam cada uma delas de mim?
 - Uma das partes se intitula os spiritualis. Eles de forma disfarçada conduziam o conclave a escolher o senhor como Pontífice, pois acreditam que sua índole é incorruptível e, portanto, será guiado pelas forças do Espírito Santo. Eles creem profundamente que a Igreja deve se manter afastada do poder temporal.
- A outra parte são os iluminatis não é mesmo? – disse o Papa ao Bispo que ficou surpreso com a afirmação do Pontífice.
- É verdade meu senhor. Mas eles são apenas uma pequena parte de uma Ordem Maior que pretendem governar o planeta através de uma liderança central.
- E como eles pretendem fazer isso?
- Através de uma Nova Ordem Mundial. Eles pretendem criar um governo central para todo o planeta e colocar um papa comandado por eles no Trono de Pedro. Os iluminatis, portanto, são apenas uma parte oculta dessa grande Ordem Mundial. Eles pretendem tomar o poder temporal.
- E qual era essa possibilidade no último conclave Arcebispo?
- Eles estiveram muito próximos de ocupar o Trono de Pedro, Santidade.
- Então as fileiras da Igreja estão tomadas por essas duas forças?
- Sim, Santidade. Elas são sutis e estão por todas as partes.
- O pontificado caminha por uma linha estreita então?
- Isso mesmo, Santidade.
- O que você acredita que devo fazer?
- Por enquanto esperar. As duas partes irão procura-lo.
- Arcebispo me diga sinceramente. – disse o Papa como quem conversa com um amigo. –  com qual das duas partes o senhor está envolvido?
- Estou aqui para servi-lo Santidade, não importa mais para mim com que parte simpatizo.
O Papa então se recordou que havia convidado o velho Arcebispo na verdade para lhe contar sobre o sonho que havia tido em uma daquelas noites anteriores. Com todas aquelas novidades que não pareciam deixar de acontecer, o Pontífice ficou em dúvida se devia se abrir com alguém sobre o que estava acontecendo em seu inconsciente. Resolveu contar o que tinha sonhado.
Dia e noite se encontram a todo instante.
O Arcebispo ouviu atentamente o sonho do Pontífice sem entender muito ao que se referia aquele movimento onírico. Apenas o que ele podia dizer era o que sabia sobre o símbolo da estrela de seis pontas com o símbolo de uma cruz espiralada no centro:
- Santidade o senhor podia ver os dois lados do símbolo?
O Papa ficou por alguns instantes tentando lembrar se no sonho via os dois lados do sol que estava simbolizado na visão.
- Não, aparentemente só me lembro de ter visto um dos lados.
- Os Spiritualis e os Iluminatis usam praticamente o mesmo símbolo, dizem até que eles tem a mesma origem, mas não se sabe quando se deu esse início.
- E qual seria essa diferença?
- Os Spiritualis usam o sete como força de manifestação nesse mundo, enquanto que os Iluminatis usam o treze como força propulsora de suas atividades.
- O sete se refere as forças da natureza: terra, agua, ar, fogo mais as forças atemporais o Pai, o Filho e o Espírito Santo, não é isso?
- Sim, isso mesmo.
- Não entendi o porquê do treze então. – disse o Papa.
- O treze seria as seis formas normais mais seis ocultas e apenas a força do Pai é representada pelo centro do símbolo. Então teríamos uma estrela de seis pontas com duas faces diferentes e um mesmo centro.
- E o símbolo dos Spiritualis teria então duas faces, mas um mesmo símbolo em seus dois lados – afirmou o Pontífice tentando lembrar-se do que tinha visto nas mãos do monge, no dia de sua ordenação e principalmente do símbolo que presenciara em seu sonho.
- O Grande Sétimo. – exclamou o Arcebispo
- O Grande Sétimo!
- É a maneira com que se referem os Spiritualis ao seu símbolo de proteção. – confirmou o Arcebispo.
- E qual a origem de todos esses símbolos?
- Em algo uma coisa os Spiritualis e os Iluminatis concordam Santidade, as duas ordens sempre dizem que tem suas origens nos céus.
- O que você me aconselha, diante dessas duas realidades?
- Tenho certeza Santidade, que as duas ordens logo manterão contato contigo afim de exporem suas realidades.
- Resta-me então seguir como se não entendesse nada disso, não é mesmo.
- Com certeza eles buscarão aproximação de Vossa Santidade de uma forma ou de outra.
- Então vamos aguardar pacientemente. – falou o Papa dizendo aquilo como se fosse um pedido em uma oração protetora para o seu destino.