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quarta-feira, 27 de março de 2013

Capítulo 38 - O DIA DO SENHOR


Capítulo 38
O DIA DO SENHOR


                    Bem sabeis que o dia do Senhor chegará como o ladrão à noite. Quando disserem: “Paz e segurança”, então de repente sobrevirá a ruína, como as dores do parto à gestante, e não escaparão.
                                                                                   Carta de São Paulo aos Tessalonicenses




Os três homens depois de tamanho evento sentiram-se parte daquela tremenda força. Foram tomados assim por um sentimento de infinita plenitude.
Depois de algum tempo voltaram suas mentes para o que os cercava.
- O que faremos agora, Santidade? – perguntou o Chefe da Guarda ao Santo Padre. - Vamos recolher as relíquias e transportá-las para outro lugar, este não é mais seguro. – respondeu o Papa.
O Chefe da Guarda correu imediatamente para retirar das portas as joias em ouro e tirando sua camisa fez uma espécie de saco onde começou a depositá-las. Enquanto isso o monge Miguel tentava ajudar o Papa a retirar o Grande Sétimo do centro da Sala Sagrada.
- Monge, é melhor carregar as seis relíquias, enquanto o Santo Padre a pedra principal. Assim fico com as mãos livres e caminho a frente desses corredores para defendê-los de alguma eventualidade. – disse o Chefe da Guarda.
A ideia foi aceita de imediato e logo os três homens estavam caminhando para fora das catacumbas do Vaticano.
Andando pelos túneis tiveram que passar por cima dos corpos daqueles que acompanhavam o filho do mal. Andaram lentamente não querendo despertar nenhuma atenção. Ficaram surpresos por não encontrarem nenhum tipo de luta por onde andaram talvez a luz gerada pelo Grande Sétimo tivesse afastado os soldados. Provavelmente a impressão de que uma bomba tinha sido detonada teria assustado todos das dependências do Vaticano.
- Monge, quando você foi capturado pelas forças do mal, como estava tudo ao redor do Vaticano? – perguntou o Chefe da Guarda preocupado com o que enfrentaria na saída.
- As tropas da Besta sofreram uma resistência apenas na entrada da cidade de Roma. Em questão de poucas horas já estava tudo tomado e entrar no Vaticano foi como que um passeio para todos os seus soldados. Ao perceberem que tudo estava vazio como o Papa havia recomendado para todos os residentes, o filho da perdição pediu para que seus homens invadissem todos os locais ao redor para encontrar o Santo Padre, os seus bispos e sacerdotes.
- E o que eles fizeram com todos nossos irmãos? – perguntou o Papa.
- Santidade, o falso profeta, aquele que fora excomungado de nossa Igreja acompanhava a Besta e sabia exatamente o que queria. Procurava o Santo Padre, pois estava atrás de seus anéis para abrir as passagens necessárias para chegar à Sala Sagrada.  – respondeu o monge.
- Eles conheciam todos os nossos passos, não é mesmo?
- Sim eles estavam à frente de todas as nossas buscas, só não tinham o conhecimento intuitivo que Vossa Santidade utilizou para desvendar os mistérios.
E quantos aos nossos irmãos, Miguel?
- Santidade, eles foram arrancados de seus esconderijos e arrastados para a Praça de São Pedro. Lá foram em sua maioria torturados e assassinados.  A população civil também não escapou das atrocidades. Aqueles que não fugiram para os campos foram arrancados de suas casas e mortos brutalmente. Dessa carnificina não escaparam nem idosos, nem crianças.
- Essa é a igualdade e a justiça que tanto apregoou o filho do mal. – afirmou o Santo Padre com a voz embargada de dores e sofrimentos pelo que ouvia e imaginava em seu coração.
- E como você sobreviveu? – perguntou o Chefe da Guarda.
- Eles sabiam que eu conhecia boa parte dos segredos e pouparam minha vida, porque para eles eu era útil.
- E o que deu de errado para a Besta que foi torrada ao acionar a força do Grande Sétimo?
- Colaborei com ele em quase tudo. Porém sabia que seu coração perverso não teria o poder de acionar a energia pura do Grande Sétimo. Na via da dúvida dei-lhe também o salmo 121 não em sua forma original em hebraico como deveria ser lida. Sabia que não iria funcionar, porque nos pergaminhos estava claro que apenas um bom coração pronunciaria os sons necessários para unir o céu e a terra.
- Corremos riscos demais o mal quase abriu completamente as portas dos infernos para este mundo. – afirmou o Santo Padre.
- Ainda corremos muitos riscos Santidade. – disse o Chefe da Guarda observando que a saída das catacumbas por onde haviam entrado estava fechada por uma montanha de entulhos.
- O que faremos agora? – perguntou o monge?
- Essas catacumbas possuem mais saídas que entradas. – afirmou o Papa.
- Como assim Santidade! – exclamou o Chefe da Guarda.
- Todos esses corredores com arcossólios, criptas, sarcófagos, já foram também utilizados até em celebrações. Também eventualmente em momentos de perseguição foram utilizados como esconderijos passageiros, dessa maneira foram criadas também várias saídas. A grande abertura que podia se ver na Sala Sagrada era uma das claraboias por onde a luz penetrava. Temos que procurar outra saída, tenho certeza que encontraremos.
Eles não podiam imaginar que presos naqueles corredores estavam na verdade momentaneamente sendo preservados das perseguições e dos eventos que o céu estava revelando ao planeta.
As dores na superfície da terra eram suficientes para se desacreditar que pudesse existir algum coração caridoso sobre a face do planeta.
Todo o sistema solar que passava por uma zona cinzenta da galáxia estava sendo bombardeado por corpos celestes. O planeta Terra em particular estava sendo atingido por meteoritos de diversos tamanhos por toda a sua superfície. Toda a proteção parecia ter desaparecido e a ruína atingiu todas as terras, todas as águas, todos os fogos e todos os ares.
Nessas mesmas horas os três homens tentavam escapar das catacumbas. Andavam por todas as escuridões e quando viam uma pequena fresta de luz se agarravam a ela como a um farol que pudesse levá-los para fora daqueles corredores.
Nessa busca acabaram encontrando um cubículo onde a iluminação parecia ser maior que nos outros lugares. Entrando viram um enorme mausoléu com várias figuras representativas e várias frases.
- O que é tudo isso, Santidade? - perguntou o Chefe da Guarda.
- Parece que é uma representação do que estamos vivendo em nossos dias. – respondeu o Santo Padre observando as figuras que se referiam ao dia do Senhor.
- Como assim? – insistiu o Chefe da Guarda.
O monge Miguel então começou a ler as frases citadas por todos os cantos:
”Eis que o dia do Senhor vem implacável, com furor ardente, para transformar o país em ruína e exterminar dele os pecadores. Porque as estrelas do céu e suas constelações não farão brilhar a sua luz. O sol será escuro desde o seu nascer, e a lua não dará a sua claridade”. Isaías 13: 9-10.
“Mas esse é, para o Senhor Deus Todo-poderoso, um dia de vingança, para se vingar de seus adversários: a espada devora e se sacia, embriagando-se de seu sangue”. Jeremias 46:10
“Filho do homem, profetiza dizendo: Assim diz o Senhor Deus: Soltai uivos de dor por aquele dia, porque está próximo o dia, está perto o dia do Senhor! Será um dia de nuvens, a hora das nações.” Ezequiel 30: 2-3
- Monge aqui tem mais citações, esta, por exemplo, é enorme. De uma olhada. – falou o Chefe da Guarda indicando outras citações.
Miguel então continuou a ler:
“Está próximo o grande dia do Senhor! Ele está próximo, iminente! O clamor do dia do Senhor é amargo, nele até mesmo o herói grita! Será um dia de ira aquele dia: dia de angústia e de tribulação, dia de devastação e de destruição, dia de trevas e de escuridão, dia nebuloso e sombrio, dia da trombeta e dos gritos de guerra contra as cidades fortificadas e contra as torres das muralhas. As pessoas ficarão aflitas e caminharão como cegas, porque pecaram contra o Senhor; o seu sangue será derramado como pó e suas entranhas como esterco.” Sofonias 1:14-17
“Porque está próximo o dia do Senhor para todas as nações! Como fizeste, assim te será feito: teus atos recairão sobre tua cabeça!” Abdias 15
- Monge Miguel, leia este aqui, pelo que o entendi me parece um pouco diferente das outras citações, pois trás uma boa nova.  – disse o Papa ao jovem e apontando para a citação a ser lida.
- A citação diz o seguinte:
“O sol se transformará em trevas, a lua em sangue, antes que chegue o dia do Senhor, grande e terrível! Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Joel 3: 4-5
A citação bíblica do profeta trazia acima um afresco com ilustrações claras do que seria o dia do Senhor. Uma cena apocalíptica.
- Aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. – repetiu o Papa a frase como que tentando abrir algo.
O Pontífice parou de falara baixo para si mesmo e disse alto:
- Senhor!
- O som parece ecoar de forma diferente nesse lugar. – falou o Chefe da Guarda.
- Diferente! – exclamou o monge.
- Sim, ele não se propaga ecoando rápido como nos outros lugares. Parece que algo o absorve. – disse o Chefe da Guarda olhando para o alto e observando que realmente havia uma claraboia que parecia poder ser escalada.
- Será que podemos subir por essa claraboia? – perguntou o monge.
- Preste atenção esses sarcófagos servem como uma espécie de escada. – falou o Chefe da Guarda já colocando os pés em posições de escalada.
O chefe da Guarda logo já estava no topo.
- O que você consegue ver? – perguntou o monge olhando para a abertura no teto.
- Tem aqui um corredor. Vou verificar se ele dá em algum lugar. Já volto.

terça-feira, 5 de março de 2013

Capítulo 19 - O PIEDOSO


Capitulo 19
O Piedoso
                                                                                                                            

              

O dia do Senhor virá como um ladrão. Os céus acabarão com grande estrondo, os elementos em chamas de dissolverão, e a terra será conhecida em suas obras. Pois, se tudo vai desintegrar-se desta maneira, não deveis perseverar em vossa santa conduta e em vossa piedade, esperando ansiosamente a chegada do dia de Deus, quando os céus em fogo se dissolverem e os elementos em chamas derreterem?
                                                           São Pedro, Apóstolo.



Naquele mesmo instante o semblante do chefe da guarda brilhou. O fascínio do dourado da pedra não brilhava apenas os rostos e sim toda a sala mostrando uma luz resplandecente. O Santo Padre então aguardou acontecer o que já conhecia. O centro da sala sem a pedra de mármore que na verdade era uma espécie de tampa, se ergueria automaticamente e a relíquia se apresentaria como se estivesse desabrochando.
A pedra tinha o tamanho de um ovo de avestruz, lapidada de forma hexagonal se encaixava numa espécie de casa e quando o Papa a retirou o Chefe da Guarda percebeu que ela possuía três faixas desenhadas em formato de xis que transpassavam dos dois lados da joia.
Mais uma vez o Pontífice surpreendeu e retirou de seu habituario um saco de feltro e envolveu o que ele denominava de o “Grande Sétimo”.


Os países estavam entrando em período de profundo conflito. Tempos críticos se alastravam por todos os cantos do mundo. A riqueza superficial estava sendo corroída em sua essência corrompida. A busca de se unir o globo num grande mercado foi esvaziada pelos embates do próprio sistema. Homens ensandecidos começaram a tomar o poder de suas nações e as terras pareciam querer implodir. A natureza parecia acompanhar o humor humano e vivia tempos escabrosos. Tempestades, furacões, terremotos, estiagens tornaram-se eventos corriqueiros. O Santo Padre diante dessas tantas dificuldades estava sendo chamado a todo instante para acalmar os conflitos e principalmente apascentar os seus fiéis espalhados pela superfície da Terra.
Foram nesses dias que o Sumo Pontífice enfrentou uma grande perda para o seu Pontificado, o velho bispo aquele que tanto o aconselhou e que depois ficou sabendo ser o responsável direto por sua eleição como Papa estava no leito de morte à espera da benção dele. O Papa então mesmo na tribulação conseguiu uma maneira de ir ao encontro daquele que se tornara um de seus confidentes espirituais.
O que é a morte se não um recomeço diante da verdadeira Vida?
A dificuldade de locomoção para o Papa era uma das coisas que mais o incomodava. Recordava-se de quando podia sair discretamente em visita a seus amigos e parentes em qualquer lugar. Isso porque para uma visita a um amigo que estava num leito do hospital precisava-se de um aparato digno de uma visita oficial de Estado.
Ao ver aquele homem coberto por um lençol branco deitado como se nunca mais pudesse se levantar, com o rosto em flagelos como em uma pintura abstrata e respirando apenas o ar distante de sua existência humana o Santo Padre encheu-se de misericórdia por todos os seres existentes. Aproximou-se lentamente e pegando nas mãos do Bispo inundou seus olhos de lágrimas e seu coração de compaixão.
O bispo percebeu a presença daquele homem que sempre mantinha-se em tranquilidade ao redor de todos  e procurou devolver seus olhos que já estavam em outro mundo a este. Apertando as mãos do Santo Padre como quando se segura um inestimável pertence o velho homem sussurrou algo incompreensível.
O Santo Padre sempre generoso percebendo a dificuldade de seu Bispo baixou a sua cabeça e pôs seus ouvidos próximos da boca do enfermo para que ele repetisse aquele murmúrio.
- Me perdoe Santidade. – suplicou o velho Bispo com todos os esforços possíveis.
O Papa então imaginando que seu conselheiro estivesse pedindo uma unção para sua passagem nesta vida e assim ergueu sua mão direita e abençoou o enfermo o liberando de todos os seus pecados. Surpreendentemente o Bispo novamente sussurrou outras palavras e o Santo Padre novamente aproximou seu rosto do velho homem.
- Pequei contra Vossa Santidade. – sussurrou o Bispo já tentando erguer sua cabeça para ser melhor compreendido.
- Vossos pescados estão perdoados meu velho amigo. – respondeu o Papa levando seus lábios aos ouvidos do Bispo.
- Tu és realmente o Piedoso, sua bondade o fez sentar-se ao Trono de Pedro. – começou a falar lentamente o Bispo nos ouvidos do Papa
O Santo Sacerdote lembrou-se então das palavras de São Pedro em sua Epístola, Capítulo 03, 10-13 e as pronunciou ao Bispo:
“O dia do Senhor virá como um ladrão. Os céus acabarão com grande estrondo, os elementos em chamas se dissolverão, e a terra será conhecida em suas obras. Pois, se tudo vai desintegrar-se desta maneira, não deveis perseverar em vossa santa conduta e em vossa piedade...?”
Perdoe-me de todo o vosso coração porque o traí. – disse o Bispo tentando virar o rosto e olhar aos olhos do Papa que agora sim procurou entender o que seu conselheiro estava querendo lhe dizer.
- Eles queriam manipular o vosso Pontificado e de certa forma eu os ajudei. Acreditávamos que porque estava sempre sorrindo seria um fraco diante das primeiras dificuldades que enfrentasse e assim tomariam o poder da igreja facilmente estando em vossas mãos.
- Quem são eles, conselheiro? – perguntou o Papa agora olhando diretamente ao rosto do Bispo.
- Por favor, Santidade – sussurrou o bispo como se fossem as suas últimas palavras – perdoe-me por ter traído a vossa confiança. –
- Que Deus perdoe os vossos pecados meu amigo e conselheiro. – anunciou o Papa olhando para os olhos do bispo marejados de lágrimas que correram por seu rosto, que sentindo a mão daquele homem apertar a sua como num grande abraço.
Foram as últimas palavras de seu conselheiro, aqueles olhos safirizados tinham encerrado sua visão deste mundo. O Papa sabia que podia confiar em poucas pessoas, só que aquele seu companheiro de quem pediu tantos conselhos e a quem confidenciou muitas de suas dúvidas era um dos poucos em que ele acreditava poder confiar.
O chefe da guarda que estava na porta do quarto correu para chamar as enfermeiras que estavam no corredor de plantão. Realmente já era tarde. O bispo tinha se retirado de nosso mundo físico em busca do perdão a si mesmo pela eternidade.
Quanto ao Sumo Pontífice parecia ter tomado um golpe em suas próprias costas e o pior de tudo sairia daquele hospital sem respostas sobre quem seriam seus verdadeiros opositores. Com esses anos de pontificado já podia apontar para alguns daqueles que estariam tentando de alguma forma manipulá-lo. Entendia que as duas correntes, os Spiritualis e os Iluminatis estavam se degladiando e cedo ou tarde iriam expor suas feridas O que realmente o preocupava era que provavelmente algum tipo de força externa ao Vaticano pudesse estar comandando alguma das duas correntes.